quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Roteiro Gastronômico no Centro de SP

Esther Rooftop


Localizado no antigo apartamento do chef Olivier Anquier, uma cobertura na Praça da República, em um prédio tombado de 1930, abriga o Esther Rooftop. Com uma vista linda do Centro de São Paulo, tem um cardápio que convida experimentar vários pratos. O edifício Esther foi um dia primeiros a serem construídos no centro de São Paulo e representa a verticalização da cidade e é um marco da arquitetura modernista, projeto de Vital Brazil e Adhemar Marinho.

No almoço, um farto menu executivo  (R$59) tem opções como a barriga de poco com purê cremoso de cenoura. Ou o fish and chips, receita inglesa com um molho delicioso

Praça da República, 80 Centro – Tel: 11.3256-1009 - ver cardápio atualizado


A Casa do Porco

Com uma decoração descolada, que lembra aqueles mercados deliciosos de Nova York, em uma rua no centro de São Paulo está a Casa do Porco, projeto dos chefs Jefferson Rueda (ex-Attimo) e Janaína Rueda (Bar Dona Onça). Uma mistura de bar, restaurante e mercadinho, tem janelas abertas para a rua do seu açougue e oferece itens para viagem, como o sanduíche de porco.

Criações não óbvias como o sushi de papada de porco ou releituras, como porcopoca (pururuca servida em um saquinho de pipoca com o logo da casa, que faz as vezes do couvert) e lamen, que leva um incrível ovo curado e nirá.

Rua Araújo, 124 – República (11.3258-2578)


Bar da Dona Onça

Embaixo do icônico prédio Copan, na Avenida Ipiranga, o Bar da Dona Onça, da chef Janaína Rueda (Sim! A mesma acima), conquistou a clientela com pratos tipicamente brasileiros. Apesar de ser chamado de bar, o lugar funciona mais como um restaurante. O extenso menu inclui opções para petiscar como o croc milanesa, a linguiça de porco artesanal com vinagrete e pão francês e a deliciosa rabada de panela de pressão, que desmancha na boca.

De prato principal, além do tradicional P.F, que você pode escolher entre peixe, carne, frango e omelete, todos acompanhados de arroz soltinho, feijão e couve refogada, a casa oferece opções como arroz de galinha caipira com quiabo e o stinco de leitoa caipira com feijão tropeiro e couve refogada. Para beber, a casa é famosa pelas caipirinhas feitas com cachaça da Laje e, a mais pedida é a caipirinha da onça, que leva tangerina e maracujá. Vale pedir pelos mini churros, servidos quentinhos, com doce de leite.

Avenida Ipiranga, 200 – Edifício Copan, Centro (11.3257-2016)



Ramona

Vizinho da biblioteca Mário de Andrade, na Av. São Luiz, o Ramona é um descolado e charmoso restaurante de pegada rock n’ roll, que predomina o som ambiente. A casa dispõe ainda, no piso térreo, um piano para quem quiser se arriscar. São algumas das opções de entradas, o aspargos frescos grelhados sob ovo caipira pochê e lascas de queijo pecorino e a batata doce rosa assada com alho e coentro fresco.

Aberto também para o almoço, oferece um delicioso menu executivo, todos os dias e com duas opções de pratos, como o rosbife de filé mignon, molho de mostarda à l’ancienne, legumes grelhados e purê de batatas. No à la carte se destaca o chancho ramônico (corte suíno) com batata assada recheada, berinjela japonesa grelhada e vinagrete de pimenta biquinho e coentro, além do hambúrguer da casa, feito com fraldinha, queijo da Serra da Canastra, maionese, salada e ovo caipira frito.

Avenida São Luís, 282 – República (11.3258-6385)







Riconcito Peruano

Não se deixe levar pelo ambiente simples e atendimento mediano do restaurante do peruano Edgar Villar. O foco na casa é nos frutos do mar e  peixes fresquíssimos com temperos trazidos diretamente do Peru.

A mistura de total simplicidade, com sabores e combinações mais complexos, é incrível. Peixes e frutos do mar crus, marinados no limão, na consistência certa e servidos em porções generosas a preços justos e ao modo tradicional peruano: com pimenta ají, cebola roxa, milho cozido e batatas doces.

R. Aurora, 451 – Santa Ifigênia (11.3361-2400)

Av. Vieira de Carvalho, 86 – Campos Elíseos (11.3221-5621)



Acrópoles

O mais tradicional restaurante grego da cidade foi inaugurado em 1959, em meio ao bairro do Bom Retiro. O ambiente simples, com algumas mesas e cadeiras de plástico na calçada, não faz jus às deliciosas especialidades servidas na casa.

Pratos como ensopado de polvo, lula recheada, carneiro assado, vitela e torta de berinjela com carne moída, além da típica moussaká e do arroz com frutos do mar figuram em uma espécie de “vitrine’, onde você escolhe uma das opções e o cozinheiro se encarrega de fazer o seu prato. Antes disso, sem rodeios, peça pela entrada completa que vem um pouco de cada, coalhada seca com pepino, patê de berinjela, purê de grão de bico e de batatas com alho,  além do polvo ao vinagrete.

Rua da Graça, 364 – Bom Retiro (11.3223-4386)



Sujinho

Com dois endereços na capital – um na Av. Ipiranga e outro na Rua da Consolação – o braseiro ficou conhecido pela sua bisteca grelhada. O menu é um mix de petiscos de bar e grelhados de churrascaria. Para começar, não impeça de deixarem na mesa as clássicas entradas da casa: repolho curtido no azeite, cebola marinada e a muçarela de búfala.

Se o caso for apenas petiscar, a porção de coração de frango vem caprichada, temperada na medida e no ponto certo.Para acompanhar, peça um cerveja de garrafa bem gelada ou um dos drinques da casa. A rede ainda possui uma hamburgueria, onde o diferencial é a preparação da carne na brasa, deixando o hambúrguer com um gostinho de churrasco. Dica importante: as casas NÃO aceitam nenhum tipo de cartão.

Avenida Ipiranga, 1058 – (11.3229-9986)



Tasca do Arouche

Como sugere o nome, o restaurante fica localizado no Largo do Arouche e dá lugar ao antigo Antiquarius. A casa que serve comida portuguesa, tem um couvert generoso que vale como uma entrada, com pães, queijo fresco, croquete de carne, bolinho de bacalhau e rissole de camarão. Para começar, a frigideira de polvo grelhado e a alheira são boas pedidas.

Entre os principais – e para não errar – opte por algum dos variados pratos feitos a base de Bacalhau, assinados pelo chef Paulo Franco, como o Bacalhau da Tasca, que leva posta do peixe assado no forno, cebolas caramelizadas no azeite, brócolis, mini batatas ao murro, ovo cozido, tomate semi confitado e alho frito ou o Bacalhau a Gomes de Sá, que serve duas pessoas. Vale também experimentar o arroz de polvo à moda da Tasca, feito com arroz português Carolino. Uma boa carta de vinhos portugueses completam o cardápio. Durante a semana, no almoço, oferece um menu executivo, com preço fixo, que inclui entrada, prato principal e sobremesa.

Largo do Arouche, 212 – República (11.3224-1421/ 3223-3715)



Bar Léo

Inaugurado em 1940, o Bar Léo se tornou um dos mais tradicionais de São Paulo. O estabelecimento ganhou fama por servir um dos melhores chopes da capital.  Para garantir o sabor e a cremosidade do colarinho, os copos passam por uma lavagem especial e os barris são refrigerados em câmara fria, longe do sol e do calor. Lançou recentemente um carrinho de caipirinhas, criações do barman Sérgio Silva e preparadas na mesa pelo próprio. Dentre elas, a chacrinha, que leva cachaça, rapadura, abacaxi e limão siciliano e a Gorbachev, com vodka, maracujá, limão e melaço de açúcar. Vale investir nos canapés como o Hackepeter (carne crua) e Rococó – pasta de queijo gorgonzola e copa.

Outras sugestões são os Pastéis de camarão com espinafre e queijo cremoso e o famoso bolinho de carne temperado à moda da casa. No menu é possível encontrar algumas opções de pratos, o eisbein (joelho de porco) — este, servido somente às quartas e aos sábados, que compõe uma bela refeição na companhia de arroz, feijão-branco e chucrute, já de quinta a sábado, a galinhada do Léo é servida à moda caipira, acompanhada de banana da terra, quiabo, xerém e arroz branco. O salão clássico, que evidencia sua ascendência alemã, é decorado com canecas doadas pelos próprios fregueses, quadros e lembranças, proporcionando uma verdadeira viagem no tempo.

Rua Aurora, 100  – Santa Efigênia (11.3224-1250)



Terraço Itália

Com sua incrível vista panorâmica para a cidade, o lendário Terraço Itália é restaurante obrigatório para todos os amantes da boa gastronomia e de São Paulo. Seu cardápio foi reformulado há pouco tempo e ganhou deliciosos pratos como a burrata e o tartar de salmão com aneto fresco de entrada.

Além das incríveis massas, o menu tem muitas opções de frutos do mar, sempre frescos e elaborados com primor,  como é o caso da lagosta grelhada com molho de laranja e risoto de alho poró ou o camarão ao prosecco servido com risoto de açafrão. Aos sábados serve uma gostosa feijoada.

Avenida Ipiranga, 344 – República (11.2189-2929)



La Casserole

Há mais de 60 anos, o aconchegante bistrô no Largo do Arouche recorre a mudanças discretas, mas significativas, para manter sua posição entre os mais queridos restaurantes da cidade. O cardápio é famoso por clássicos da cozinha francesa e também conta com pratos de inspiração contemporânea. A casa renovou recentemente seu menu e incluiu cinco novos pratos, sem perder o toque clássico da gastronomia francesa.

Dentre eles, destaca-se as moules-frites, ícone da culinária de bistrôs na França – uma combinação de mexilhões, em molho feito no caldo do próprio marisco, servidos com batata frita; o tradicional entrecôte angus, corte de carne bovina nobre típica do país, chega à mesa com palmito pupunha tostado, cogumelos salteados e manteiga maître d’hotel, a base de especiarias e um toque de limão, além do  polvo acompanhado de mousseline de grão-de-bico. Possui uma boa carta de vinhos e de terça a sexta oferece um meu executivo de três tempos.

Largo do Arouche, 346 (11.3331-6283/ 3221-2899)

 http://viagemegastronomia.com.br/gastronomia/gastronomia-no-brasil/restaurantes-sao-paulo/restaurantes-centro-sao-paulo/

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Taste of São Paulo - Todos os sabores em um só lugar

Site: http://saopaulo.tastefestivals.com

Aconteceu entre os dias 8 e 11 de setembro a primeira edição do Taste Festivals (um dos melhores eventos de restaurantes do mundo) na América Latina: o Taste of São Paulo. O evento contou com a participação de 60 dos mais consagrados chefs do país e foi voltado para a alta gastronomia. Ele reuniu cerca de 16 dos melhores restaurantes de São Paulo. A grande maioria dos restaurantes participantes, além de serem renomados, possuem inúmeras premiações nacionais e internacionais, entre eles vários com estrelas Michelin (um dos maiores prêmios que um restaurante pode receber no mundo) ou citados pelo guia. Estiveram por lá os melhores chefs da cidade (reconhecidos nacionalmente e internacionalmente), presentes em inúmeros workshops e palestras para quem foi visitar.

Os restaurantes presentes no evento foram: Fasano, um ícone da alta gastronomia italiana; Mocotó, renomado restaurante de comida nordestina do chef Rodrigo Oliveira; A Casa do Porco, do chef Jefferson Rueda; Tuju, revelação na cena gastronômica paulistana; Maní, dos chefs Daniel Redondo e Helena Rizzo; Kinoshita, um dos mais cobiçados restaurantes japoneses do país; Astor, referência em drinques no país; Adega Santiago, com seus sabores ibéricos; Bar da Dona Onça, um ícone da “cozinha de bar”; Fechado para Jantar, famoso por suas empolgantes experiências gastronômicas; Manacá, considerado o melhor restaurante do litoral paulista; Le Jazz, um delicioso bistrô; NB Steak, que criou um conceito de rodízio de carnes premium; Tian, grande nome da cozinha asiática; Clandestino, restaurante itinerante comandando pela chef Bel Coelho e Bráz Trattoria, cantina moderna comandada pelos chefs Benny Novak e Marcelo Tanus.

Estivemos presentes durante os 4 dias do festival e percebemos que entre as aulas mais disputadas do evento destacaram-se as dos chefs Erick Jacquin, Henrique Fogaça, Helena Rizzo (Maní), Rita Lobo (Canal Panelinha), Janaína Rueda (Bar da Dona Onça) e Tsuyoshi Murakami (Kinoshita). Já nos workshops os participantes tiveram a oportunidade de cozinhar com chefs como Morena Leite (Capim Santo), Rodolfo de Santis (Nino Cucina), Marcelo Tanus (Bráz Trattoria, Ici Brasserie e Astor), Wagner Resende (Parigi Bistrot), Gabriela Kapim (GNT), Luca Gozzani (Fasano), entre outros.

Helena Rizzo, eleita a melhor chef do mundo em 2014 e chef do estrelado Maní, ensinando a preparar um arroz de carreteiro.

A reconhecida chef Marina Pipatpan, do premiado Restaurante Tian, ensinando os truques da culinária tailandesa e preparando o famoso Pad Thai.

A reconhecida chef do Bar da Dona Onça, Janaína Rueda, ensinando a preparar um Cuscuz de sardinha fresca e discutindo a alimentação nas escolas.

O premiado chef Rodrigo Oliveira ensinando a receita do Cuscuz do seu restaurante Mocotó.

O evento foi dividido em dois horários, de 12h às 16h e de 18h às 22h, e os pratos dos restaurantes eram pagos a parte (entre R$15 e R$35). Logo, a pessoa que quisesse ir, deveria comprar seu ingresso para um dia e um horário específico, tendo que se programar em relação as palestras e workshops que aconteceriam naquele horário (caso pretendesse participar de algum). Infelizmente os workshops eram bem concorridos e possuíam cerca de 28 vagas cada. Quem não reservou o seu lugar com antecedência acabou ficando de fora ou teve que torcer para ter uma desistência e ser chamado na lista de espera.

Papo de Cozinha: Workshops onde os participantes da feira podiam cozinhar com chefs renomados.

Toda a empolgação do chef Tsuyoshi Murakami do estrelado Kinoshita em uma palestra sobre Lâmen.

Por mais que tenham participado mais de 16 mil pessoas em apenas 4 dias, o clima foi bem tranquilo. Alguns poucos espaços, como o do restaurante Mocotó, estavam sempre com filas, mas nada que fosse insuportável ou demorasse mais de 20 minutos para fazer seu pedido. Em geral a frequência foi muito bem distribuída, sem ter grandes filas ou aglomerações onde você não poderia andar. Pelo contrário, todos que compareceram tiveram a oportunidade de conhecer os espaços dos restaurantes e demais expositores e assistir as aulas que tiveram interesse. Somente os workshops não suportaram a grande demanda. Apesar de algumas pessoas relatarem que não possuíam muitas mesas para sentar com a família, o que percebemos, foi que muitas pessoas degustavam suas porções em pé, em mesas mais altas (tipo de bar) ou que uma espera de 10 minutos era mais que suficiente para encontrar algum lugar para sentar e se alocar em um canto mais confortável.

O festival teve alguns números que surpreenderam devido à grande demanda dos frequentadores. Entre os pratos best-sellers estavam o Porco à San Zé (um clássico da Casa do Porco que dispensa apresentações), o Tiramisù do Fasano, o Arroz de Pato da Adega Santiago, os Dadinho de Tapioca do Esquina Mocotó e os Arancini do Bráz Trattoria.

No evento foram consumidos 100 mil pratos de comida, onde foram 750 quilos de carne de porco da Casa do Porco, 15,2 mil dadinhos de tapioca da Esquina Mocotó, 5 mil biscoitos de polvilho do Maní, 6 mil croquetes de jamón da Adega Santiago, 1,2 mil de coquetéis do bar Astor, 2 mil porções de tiramisù do Fasano, 10 mil pratos do Kinoshita, 2,5mil vidrinhos de tempero da BR Spices e 3,6 mil arancini da Bráz Trattoria.

Outro lugar que chamou a atenção dos visitantes foi a Adega Taste, que atraiu mais de 300 participantes para aulas e degustações de vinhos.

Nós experimentamos e avaliamos mais de 20 pratos (dos mais de 60 pratos disponíveis) em todo o evento, e no geral a maioria estava bom ou muito bom, cumprindo a proposta do evento de podermos experimentar um pouco de cada restaurante e instigar a vontade de visitar o restaurante em um outro momento. Se pensarmos na enorme quantidade de pratos produzidos no evento, é uma vitória conseguirem produzir tantos pratos sem ter uma perda significativa de qualidade. Também foi inevitável encontrar pratos que não empolgaram muito.

Segue abaixo os que mais nos chamaram atenção (dos que provamos):

Tonkatsu (copa-lombo com molho tonkatsu sobre arroz e karashi) do Kinoshita: todos os elementos tinham seu sabor, até mesmo o arroz tinha seu destaque. E quem quisesse adicionar um pouco mais de picância, bastava adicionar um pouco do karashi que acompanhava o prato.

As carnes do NB Steak (provamos o Bife Ancho e o Top Steak com arroz biro-biro) estavam extremamente macias e suculentas.

Pork Bun (pão no vapor, porco, molho de ostras) do restaurante Tian: uma delícia sem igual, ainda mais se você gosta de misturas um pouco adocicadas (molho de ostra no caso). Consideramos esse um dos hits do evento.

Galinhada Moderna do Bar da Dona Onça (Galinhada caipira, quiabo, gema de ovo curada): muito bem temperada. Toda a atenção para essa gema, que, quando estourada, dá um novo sabor e textura para o prato.

Shake trufa (sashimi de salmão selado com manteiga de trufas brancas) do Kinoshita: maçaricado e extremamente saboroso.

Le Jazz (sanduíche de leitão com picles e mostarda): a princípio, pelo tamanho e pela aparência, não dávamos nada por esse sanduíche, mas essa impressão só durou até a primeira mordida. Uma casca crocante (à pururuca) e extremamente suculento dentro. Um pequeno pecado!

Tiramisù do Fasano: se você imaginar que saíram 2 mil porções dessa sobremesa, não era de esperar que estivesse na qualidade que experimentamos. Leve (como um tiramisù deve ser e saboroso). Detalhe para os chips de chocolate em cima da sobremesa.

Não citamos o Porco à San Zé (A Casa do Porco Bar) porque não experimentamos ele dentro do festival. Mas, certamente, se estivesse na mesma qualidade que é servido no restaurante, também entraria na lista dos nossos hits.

Sem dúvida os pratos acima mereciam ser repetidos inúmeras vezes de tão bons que estavam. Um belo motivo para visitar os seus respectivos restaurantes e saborear outras surpresas.

Em 2017 tem mais!

Texto e fotos: Ricardo Brasil.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Kidoairaku


Comida sem frescura
Panela velha é que faz comida boa
Parece esquisito comer hambúrguer em restaurante japonês, mas o do  é muito bom

Todo mundo gosta de descobrir novos lugares para comer. Mas, não raro, detetives culinários também têm seus dias de azar. Quantas vezes não achamos "aquele" lugar inédito, às vezes até recomendado por amigos, e nos decepcionamos?


Apelar aos velhos favoritos de sempre. Foi assim que retornamos ao Kidoairaku.

O Kidoairaku não tem uma fachada das mais vistosas. De fora, nada indica ser um dos melhores restaurantes japoneses da Liberdade.

Fica na esquina da São Joaquim com Galvão Bueno, esquina perigosa, devido à velocidade de motoboys alucinados que sobem zunindo a São Joaquim. Cuidado, portanto.

Quem vai pela primeira vez certamente se surpreenderá com a "recepção": ao entrar, você verá uma tiazinha japonesa sentada numa cama, assistindo TV. Se ela não estiver lá, você está no lugar errado.

A especialidade da casa são os teishokus. No Japão, o teishoku é o equivalente ao nosso "PF": uma refeição que traz várias porções de pratos tradicionais. Nenhum teishoku está completo sem o missoshiru (sopa), gohan (arroz) e o tsukemono (conservas).

O garçom sugere o teishoku de peixe prego no molho missô. Pedimos também o katsudon (porco empanado sobre arroz adocicado), muito bom. De entradas, berinjela grelhada no missô, uma das coisas mais deliciosas que já experimentei, e buta no kakuni (barriga de porco cozida).

Um dos teishokus mais pedidos do Kidoairaku é o de hambúrguer. Pode parecer esquisito comer hambúrguer em restaurante japonês, mas o de lá é muito bom.

Os especiais do dia ficam anunciados em papéis colados na parede. Não se acanhe em pedir ajuda ao garçom. Lá, diferentemente de alguns lugares esnobes por aí, os atendentes, de fato, atendem.

KIDOAIRAKU - R. São Joaquim, 394, Liberdade, SP, tel. 0/xx/11/3207-8569

Baixo Cuzco


ANDRÉ BARCINSKI - Comida sem frescura – FSP

Uma região do centro de São Paulo, próxima à Santa Ifigênia, está virando o "baixo Cuzco", de tantos restaurantes peruanos que estão abrindo no pedaço.



Já existem ali o ótimo Rinconcito Peruano (rua Aurora, 451, tel. 0/xx/11/8974-2965) e outro com o sugestivo nome de El Carajo! (rua Guaianases, 167), "donde usted es el rey".

Há poucos meses, abriu na avenida Rio Branco, 439, o Tradiciones Peruanas. Trata-se de uma portinha, pouco maior que uma garagem, que fica colada ao excelente restaurante árabe Habib Ali. Tem três mesas, e cabem, com muito esforço, umas 12 pessoas.

Quando fui, com um amigo, o atendente disse que havia um salão maior no andar de cima, mas que ele mesmo não recomendava: "Está muito quente lá".

Aceitei a sugestão e esperei por uma mesa na calçada, de frente para o movimento da Rio Branco. Matei o tempo ouvindo o pavoroso sertanejo universitário que vinha de uma loja de som automotivo, ao lado.

O almoço foi ótimo: de entrada, o garçom trouxe um pratinho de "cancha", um milho peruano frito, aperitivo perfeito para acompanhar uma cerveja gelada ou a "chicha morada", um refresco feito de milho-roxo, doce e delicioso.

Depois, pedimos um ceviche de pescado (R$ 25), prato excelente e que custaria o triplo em qualquer lugar da cidade, seguido de "chaufa" de mariscos -arroz feito na panela wok, com camarões, peixe, lula e mexilhões. Não sobrou nada.

Gostei tanto que voltei ao Tradiciones Peruanas alguns dias depois. Pedi um "la viagra marina", pratão que traz ceviche, lulas fritas e arroz com mariscos. Custou R$ 60 e dava tranquilamente para duas pessoas.

Na mesa ao lado, um casal traçava um apetitoso "pollo broaster" (R$ 15), frango empanado com batatas fritas, que parecia dos céus.

Aprovadíssimo o Tradiciones Peruanas. E que a invasão inca ao centro de São Paulo continue firme e forte.

Pedi o arroz com mariscos, muito bom, com fartura de camarões e mexilhões. Dava para duas pessoas, talvez três. Ao meu lado, um casal pediu dois cebiches. Não precisava. Uma porção daria tranquilamente para ambos.

Fiquei babando pelos chicharrones de calamares (lulas dorê), servidos com batata frita e salada, e curioso para provar o "leche de tigre", que a garçonete definiu como "o suco do cebiche".

As garçonetes são simpáticas, mas não falam português e não parecem fazer muito esforço para aprender. Ir ao local é uma boa oportunidade de exercitar seu portunhol. Um dos donos me disse que, no fim de semana, o lugar fica cheio de famílias, se deliciando com o "caldo de pollo" e a "jalea de pescado".

Como as porções são grandes, o ideal é ir com amigos e pedir pratos variados.

Mas só volto lá no fim de semana. Porque retornar ao trabalho depois de comer um "lomo saltado" não é para qualquer um (rua Aurora, 451, tel. 0/xx/11/3361-2400).

Rua Tomaz Gonzaga, Liberdade


ANDRÉ BARCINSKI - Comida sem frescura - FSP, 28.03.2012

Na rua Tomás Gonzaga, no bairro da Liberdade, ficam, lado a lado, três dos meus endereços preferidos

SE HOUVESSE uma eleição da "calçada mais apetitosa" de São Paulo, eu votaria na da rua Tomás Gonzaga, no bairro da Liberdade.

Num espaço de um quarteirão, há pelo menos seis bons restaurantes orientais, servindo de sushi a "lamen", de "teishokus" a yakisobas.

Gosto especialmente do trecho entre os números 57 e 75, onde ficam, lado a lado, três restaurantes e bares muito bons, baratos e diferentes: o Kintarô, o Jardim Meio Hectare e o Porque Sim.

O Jardim Meio Hectare é um dos meus restaurantes chineses prediletos no bairro, com pratos que fogem do tradicional frango xadrez. Bem simples, tem sacos de alimentos empilhados no caminho do banheiro, mas a comida é fantástica.

O siri com alho é sensacional, assim como a rã frita e o macarrão branco. Aos mais ousados recomendo o intestino de porco frito.

Ao lado fica o Porque Sim, misto de karaokê com restaurante de "lamen", onde você pode soltar a voz em baladas sertanejas ou rocks enquanto saboreia "teishokus". O restaurante fica no térreo; os boxes, no karaokê, no andar de cima. Prove o "karê" (curry japonês).

Mas o melhor motivo para visitar a Tomás Gonzaga é mesmo o Kintarô, um boteco japonês que é sucesso entre os esfomeados da região.

De manhã, o Kintarô serve coxinhas e bolovos (ovo com carne moída) para os trabalhadores famintos da região central.

À noite, seu balcão pequeno fica lotado de estudantes tomando cerveja gelada e provando os petiscos japoneses expostos no balcão, como a moelinha de frango, o "nirá" com ovo, a manjuba frita, os "oniguiris" e a dobradinha. Os "chankos" (caldeiradas, pratos típicos dos lutadores de sumô) são ótimos.

Há algumas semanas, voltei ao Kintarô, que havia fechado por 30 dias para reforma. Um dos donos, Taka, distribuía doses de saquê para celebrar a reabertura.

A tal reforma, aparentemente, foi só no banheiro, porque a frente do lugar continua igualzinha. Ainda bem. Em time que está ganhando...