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sexta-feira, 12 de julho de 2024

Janaína Torres lança o primeiro menu-degustação do Bar da Dona Onça

Experiência proporciona viagem afetiva pela gastronomia das casas brasileiras

Caseirices, brasilidade, apuro e afeto. O primeiro menu-degustação de Janaína Torres – eleita a melhor chef do mundo em 2024 – para o Bar da Dona Onçaconvida a um passeio pelas memórias gustativas e afetivas das casas brasileiras. Do cozido de sete feijões com codeguim, que abre o serviço, até o beijinho com gel de cravo que acompanha o café, revisitamos um Brasil rico em influências culturais mas atualizado com técnica, criatividade e uma notável pesquisa de ingredientes.

O prato Feijões do Brasil, por exemplo, traz sete tipos de grãos que mesclam cores e também sabores de diferentes regiões, como o feijão corujinha, do Acre, o guandu, do Piauí e da Bahia e o mouro criolo, do Rio Grande do Sul. O codeguim potencializa o sabor do caldo e traz untuosidade ao prato, coroado com ervas frescas.

O segundo ato é inspirado nas festas brasileiras e traz uma seleção de salgadinhos: empada de palmito pupunha, risole de moqueca de pesca local, quibe com castanha de caju e bolinha de queijos artesanais brasileiros. Repare que para cada item há um detalhe especial que faz toda a diferença.

O "porco terra nossa", servido com cítricos da época, tucupi e pimenta de cheiro traz a combinação da carne suína com cubinhos de cítricos de diversas cores e níveis de acidez que brincam com o paladar. Mais instigante e saboroso é o capelete de galinha caipira, que traz a massa fresca recheada com a ave e é banhado por um caldo que tem cor e todo o umami de um bom molho de soja – mas é feito com banana-da-terra, surpreendente. Acompanham ainda cubinhos de minimilho tostados, uma combinação que resulta em um belo e reconfortante prato.

A última parada oferece o "arroz de viajante", preparado com um caldo espesso e rico e chega em uma panela de ferro que ao ser destampada revela pedaços de carne, ervas frescas e um ovo com gema mole para serem misturados, como em um bom mexidão. Os vegetais trazem nomes curiosos como a trapoeraba, a bertalha, o picão e a beldroega.

A sobremesa surpreende ao misturar uma musselina de mandioca com chocolate branco, água de coco e creme de nata e faz uma homenagem aos merengues da época de ouro do Centro de São Paulo, região onde a chef cresceu. Encerra a refeição uma seleção de docinhos de aniversário: quindim, beijinho com gel de cravo (para preservar o sabor da especiaria, que é sempre descartada) e brigadeiro sem confeitos de chocolate, como a chef comia na infância, além de bala gelada de coco. São oferecidos guardanapos para quem quiser levar os docinhos para comer em casa, como em uma verdadeira festa de aniversário.

O menu "Abrindo Caminhos" estará disponível até setembro, sempre no jantar, e não precisa de reservas. Basta solicitar ao atendente, que logo estenderá uma bela toalha de Richelieu, que faz parte da experiência, para dar início ao serviço. O menu tem sete tempos e custa R$ 190. Para a harmonização com vinhos, cerveja, cachaça, licores e café, adicione mais R$ 90. O vinho de jabuticaba, desenvolvido por Janaína em parceria com a Cia. dos Fermentados, é uma joia que merece ser experimentada.

Bar da Dona Onça - Av. Ipiranga 200, Centro de São Paulo - Mapinha aqui
Menu-degustação "Abrindo novos caminhos": de segunda a sábado, das 18h30 às 23h
Tel: (11) 3257-2016

FSP, 12.jul.2024, Marcelo Ktsui

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Gastronomia de hotéis recupera fôlego e requinte com novos bares e restaurantes

Novos Neto e Caju, no recém-inaugurado Four Seasons, reforçam cena gastronômica

[Luiza Fecarotta] FSP, 23/11/2018 

Pode-se dizer que o efervescente hotel Maksoud Plaza cravou seu lugar na memória paulistana. Ali, nos anos 1980, abriu o histórico La Cuisine du Soleil, inaugurado pelo ícone da nouvelle cuisine francesa Roger Vergé, e o 150 Night Club, onde gente como Frank Sinatra se apresentou. 

No começo dos anos 2000, o espaço passou um tempo apagado, mas recuperou o brilho com a inauguração do Frank, bar de alta coquetelaria, em 2015. Depois, vimos o investimento na gastronomia recuperar o fôlego no setor hoteleiro, com as aberturas de casas como o Seen e o Tangará Jean-Georges, e com a volta do Ca’d’Oro, outro clássico da cidade. 

Para além destas, temos outros dois endereços que não perderam o fôlego, o Fasano e o Skye, e duas novas promessas para os próximos anos, o Rosewood (cujo restaurante ainda não foi anunciado) e o Nobu Hotel.

Fórmula que une hotelaria a alta gastronomia perdura
César Ritz (1850-1918) odiava cuidar das vacas, quando criança, na aldeia suíça na montanha em que nascera. Foi estudar em Sion para “ser outra coisa que não um camponês”.
Experimentou ser aprendiz de sommelier —e fracassou. Como ajudante de garçom, poliu botas, esfregou chão e carregou malas; perdeu outro emprego no ramo por quebrar muitas louças.

Foi esse personagem insistentemente ambicioso, porém, que, anos mais tarde, tornou-se um hoteleiro excepcional. Ritz aliou-se a um dos cozinheiros mais celebrados da gastronomia, Auguste Escoffier (1846-1935), para promover a expansão das primeiras grandes redes de hotelaria, numa fórmula ainda hoje repetida pelo mundo, que conjuga conforto das instalações e cozinhas requintadas. 

Na São Paulo do século 21, grandes restaurantes de hotel também marcam cozinhas luxuosas da cidade. Eis exemplares como o Fasano, cuja família proprietária ergueu um império a partir de 1902, com a abertura de uma confeitaria, e consolidou ao longo dos anos uma das grifes mais requintadas do país, sustentada como tal até hoje.

Outrora monumento da gastronomia paulistana, o Ca’d’Oro, outro empreendimento familiar tradicional, permanece no imaginário da cidade. Ainda que tenha fechado em 2009 e reaberto mais moderno em 2016 —já sem a majestade da “casa de ouro” dos anos 1950—, segue a servir clássicos como as codornas com polenta.

Da nova safra, em uma São Paulo mais receptiva a casas de serviço simplificado e capazes de praticar preços contidos, nenhuma novidade se aproxima da excelência e pompa de antigamente, ainda que se faça notar a abertura dos luxuosos hotéis Palácio Tangará, cujo restaurante tem cardápio assinado pelo chef franco-americano Jean-Georges Vongerichten, e do recém-inaugurado Four Seasons, com seu já estrelado Neto. 

Four Seasons
A chegada da luxuosa rede canadense Four Seasons a São Paulo em novembro, última grande inauguração hoteleira na capital, trouxe consigo a abertura deste restaurante de culinária italiana feita com ingredientes brasileiros. (*)

Caju SP
A outra novidade está no saguão do hotel, o bar Caju, que recepciona o público com seu sinuoso balcão. Quem assina a carta é o bartender Paulo Ravelli, que busca homenagear sabores e costumes brasileiros em seus drinques. Exemplo é o Pingado (R$ 38), com cachaça, Cynar e mix de vermute com infusão de café. Outro, o Amigo Julep, combina o refrescante mint julep ao brasileiro caju amigo, com uísque, cachaça, compota de caju e hortelã (R$ 38). 
R. Eng. Mesquita Sampaio, 820, Vila São Francisco, região sul, s/ tel. 

Palácio Tangará

Tangará Jean-Georges
O 35º restaurante assinado pelo chef franco-americano Jean-Georges Vongerichten, e o primeiro dele no Brasil, abriu as portas em junho de 2017, junto à inauguração do imponente hotel que o abriga —e conquistou a primeira estrela Michelin neste 2018. A novidade mais recente foi o lançamento do menu-executivo, no almoço, por R$ 155.

Burle Bar
Cores sóbrias, petiscos assinados por Vongerichten e alta coquetelaria são as marcas do bar da casa, instalado no lobby do hotel. A carta traz drinques como o Le Bristol Paris, criado no hotel francês, com gim, chá Earl Grey, sabugueiro e suco de grapegruit (R$ 50). 
R. Dep. Laércio Corte, 1.501, Paraíso do Morumbi, região oeste, tel. 4904-4040

Tivoli Mofarrej

Seen
Entre os atrativos do restaurante, aberto em 2017 no 23º andar do hotel, estão o charmoso salão —com vista panorâmica da cidade—, clima de badalação, comida e drinques. O chef é William Ribeiro (ex-Bossa), que entrega receitas como o ravióli de cabra, com tomate confitado, mel de uruçu, manteiga queimada, nibs de cacau e rúcula (R$ 64). 

Must
Foi também em 2017, que o lobby do Tivoli Mofarrej ganhou este bar, com vista para a piscina do local. O menu tem coquetéis assinados por Jessica Sanchez, com receitas como o Cup of Tea, feito com gim, redução de amora, bitters de laranja e espuma de camomila com cabernet (R$ 35). 
Al. Santos, 1.437, Cerqueira César, região oeste{oeste}, tel. 3146-5923

WZ Hotel

Tetto
Desde maio de 2017 o topo do WZ Hotel, na Rebouças, abriga este bar com clima de balada, com direito à pista de dança e programação de festas. Atenção aos coquetéis, que têm a assinatura de Jean Ponce (Guarita) e Matheus Cunha. 
Av. Rebouças, 955, Cerqueira César, região oeste, tel. 2597-4818.  

Maksoud Plaza

Frank Bar
Depois de um período apagado, o clássico Maksoud Plaza recuperou o fôlego boêmio com a inauguração do Frank Bar, em 2015. Considerado um dos melhores bares do mundo (86º no ranking do 50 Best), é comandado por Spencer Amereno Jr. 

Vino!
Em agosto, o Frank ganhou a companhia do Vino!, com opções de vinhos em taça a partir de R$ 12 e cardápio comestível assinado por Flavio Miyamura (Extásia), com pratos como o fetuccine com ragu de cogumelos e toque de ervas (R$ 42). O hotel abriga, ainda, o Restaurante 150, com serviço de bufê e à la carte. 
R. São Carlos do Pinhal, 424, Bela Vista, região central, tel. 3145-8000

Clássicos

Fasano
Primogênita de uma das mais importantes grifes da alta gastronomia paulistana, a casa foi fundada há 35 anos e, desde 2003, funciona no térreo do luxuoso hotel homônimo. À frente da cozinha, está o italiano Luca Gozzani. Mesmo com algumas inovações, o cardápio mantém o espaço de antigos conhecidos 
da clientela, caso do ossobuco de vitela com vinho branco e ervas, guarnecido de risoto à milanesa (R$ 182).
R. Vitório Fasano, 88, Cerqueira César, região oeste{oeste}, tel. 3896-4150

Skye
Em agosto, o espaço passou alguns dias fechado para depois reabrir de cara nova. Mas a qualidade da cozinha permanece —está a cargo do francês Emmanuel Bassoleil, pilotando os fogões da casa há 15 anos. Ele mescla sotaques em receitas como a do Cassoulet Amazônico, um cozido de pirarucu, tambaqui, feijão-manteiguinha, tucupi e jambu, purê de banana e farinha de uarini (R$ 98).
Av. Brig. Luís Antônio, 4.700, cobertura, Jardim Paulista, região oeste{oeste}, tel. 3055-4702

Vem aí
São Paulo receberá mais três grandes hotéis —com promessa, é claro, de bons restaurantes e bares. O Rosewood, nos arredores da avenida Paulista, deve abrir em 2020; na mesma região, o hotel D.O.M. deve vir em 2021. O último é o hotel Nobu, no Itaim, ainda sem previsão —mas já dá para conhecer o restaurante do grupo, que, aliás, acaba de chegar à cidade.


(*) No Four Seasons, Neto dá pincelada brasileira em original menu italiano
Restaurante é comandado pelo italiano Paolo Lavezzini, ex-Fasano Al Mare

Josimar Melo FSP, 23.11.18

A recente inauguração do hotel da rede Four Seasons em São Paulo trouxe um presente adicional para a cidade —o restaurante Neto.

Com uma ambientação mais informal do que se poderia esperar, ele tem à sua frente o experiente chef italiano Paolo Lavezzini, que veio ao Brasil para assumir a cozinha do hotel Fasano do Rio de Janeiro, onde ficou por seis anos.

Nascido e criado na região da Emilia-Romagna, de onde saiu para estudar cozinha na Toscana (duas regiões de sonho para os gulosos), o chef trabalhou em grandes hotéis na Europa antes de aqui desembarcar.

No Rio, sua especialidade era a cozinha do mar; em São Paulo, apresenta uma culinária diferente: original, instigante, decididamente italiana, mas toda pincelada com ingredientes brasileiros.

É o que mostram receitas como as vieiras cruas (infelizmente sem todo o frescor necessário) marinadas na tangerina com sal negro, cará e farinha d’água (R$ 60); os lagostins que, ao lado da delicada couve-flor, do pistache e do lardo, se acentuam com um toque de tucupi (R$ 60).

Outro exemplo são os tagliolini feitos de feijão preto, servidos com alho, azeite, pimenta-de-bode, couve-manteiga e bottarga (R$ 75) —feijão, couve e pimenta, eis uma massa com divertido toque brasileiro.

O cardápio se orienta para o uso de ingredientes comprados nas redondezas. O tomate, por exemplo, é de São Paulo mesmo (usado, sem demérito, no molho do espaguete, junto com manjericão e queijo de ovelha nacional, R$ 70); o mesmo vale para a burrata com rúcula selvagem e diferentes tomates (R$ 80).

Carne bem maturada, e feita na brasa de verdade, é a base do bife ancho com chicória salteada na manteiga de castanha-do-pará e delicioso arroz-cateto crocante (R$ 130); e da bisteca fiorentina servida com batatas aceboladas com pancetta defumada e alecrim (R$ 260, para dois).

Tem mais brasilidade também nas equilibradas sobremesas —como bolo de castanha-do-pará com cupuaçu e sorvete de banana (R$ 32) e o abacaxi de Pernambuco com caramelo e coalhada (R$ 30).

  • Quando Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sáb.: 13h às 16h e 19h às 24h. Dom.: 13h às 16h e 19h às 23h.
  • Onde Four Seasons - R. Eng. Mesquita Sampaio, 820, Vila São Francisco, região sul, s/ tel. 166 lugares.



sexta-feira, 12 de julho de 2019

O porco venceu o preconceito no país da feijoada

Marcos Nogueira - FSP - 29.jun.2019

Porco = malfeito, imundo, mau-caráter, obsceno. Está assim nos dicionários.

Muitos anos atrás, eu apurava uma reportagem sobre o porco (o animal) para uma revista de interesse geral. O texto abordava a inteligência do Sus scrofa e sua relação com a espécie humana –o que inclui, é lógico, nossa tara por bistecas, linguiças, costelinhas, presuntos e bacon.

Um dos entrevistados era representante de uma associação de criadores. O indivíduo passou a conversa toda tentando me convencer a não usar a palavra “porco” na revista. A denominação “suíno” era mais palatável, argumentava o fazendeiro.

Não atendi ao apelo do cidadão. Por acaso alguém come coxinha de galináceo? Ou faz aquele belo molho de solanácea com bovino triturado para acompanhar o macarrão?

O preconceito contra o porco é tão grande que se entranha mesmo naqueles que vivem de criar porcos.

Por isso, a inclusão da Casa do Porco em uma lista de 50 melhores restaurantes do mundo tem importância histórica.
Listas são como certas partes da anatomia humana –cada um tem a sua–, mas a “50 Best Restaurants” se destaca pela gigantesca repercussão no meio gastronômico e além dele.

Se já era difícil conseguir uma mesa na Casa do Porco, agora será impossível. O mundo ficou sabendo das peripécias porcinas de Jefferson e Janaína Rueda.

O que eles fizeram é monumental. Meteram o porco no nome do restaurante, desafiando a sensatez comercial. Atraíram multidões ao emporcalhado (ops!) centro de São Paulo com ceviche de porco, sushi de porco, tartar de porco.
A casa dos Rueda é, salvo engano, o primeiro restaurante especializado em carne de porco a figurar na lista dos topzeras internacionais. Não é uma proeza?

A repulsa ao porco não é exclusividade brasileira. O judaísmo e o islamismo privam os fiéis de delícias como o torresmo e a mortadela. O ocidente cristão situa o porco em algum ponto entre o êxtase e a impureza. Bem compreensível.
O caso brasileiro é bastante peculiar. A feijoada, prato de exportação e símbolo da cultura brasuca, leva quase tudo do porco. Couro, lombo, pé, orelha, rabo, focinho, toucinho, paio, linguiça. Um chiqueiro borbulhante que harmoniza com batida de limão.

Ainda assim, tentamos esquecer que a calabresa um dia foi porco. A condição suína do suíno é mascarada pelo mercado para não melindrar o consumidor.

Isso, afortunadamente, está mudando no Brasil e no mundo. A palavra “porco” já tem aparecido desavergonhada em embalagens. Já há quem ouse comer carne de porco malpassada –algo inimaginável há pouco tempo. Até  Palmeiras incorporou o apelido pejorativo que os rivais o impingiram.

Na terra da feijoada, o porco construiu a sua casa. E ela não é de palha.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Taste of São Paulo - Todos os sabores em um só lugar

Site: http://saopaulo.tastefestivals.com

Aconteceu entre os dias 8 e 11 de setembro a primeira edição do Taste Festivals (um dos melhores eventos de restaurantes do mundo) na América Latina: o Taste of São Paulo. O evento contou com a participação de 60 dos mais consagrados chefs do país e foi voltado para a alta gastronomia. Ele reuniu cerca de 16 dos melhores restaurantes de São Paulo. A grande maioria dos restaurantes participantes, além de serem renomados, possuem inúmeras premiações nacionais e internacionais, entre eles vários com estrelas Michelin (um dos maiores prêmios que um restaurante pode receber no mundo) ou citados pelo guia. Estiveram por lá os melhores chefs da cidade (reconhecidos nacionalmente e internacionalmente), presentes em inúmeros workshops e palestras para quem foi visitar.

Os restaurantes presentes no evento foram: Fasano, um ícone da alta gastronomia italiana; Mocotó, renomado restaurante de comida nordestina do chef Rodrigo Oliveira; A Casa do Porco, do chef Jefferson Rueda; Tuju, revelação na cena gastronômica paulistana; Maní, dos chefs Daniel Redondo e Helena Rizzo; Kinoshita, um dos mais cobiçados restaurantes japoneses do país; Astor, referência em drinques no país; Adega Santiago, com seus sabores ibéricos; Bar da Dona Onça, um ícone da “cozinha de bar”; Fechado para Jantar, famoso por suas empolgantes experiências gastronômicas; Manacá, considerado o melhor restaurante do litoral paulista; Le Jazz, um delicioso bistrô; NB Steak, que criou um conceito de rodízio de carnes premium; Tian, grande nome da cozinha asiática; Clandestino, restaurante itinerante comandando pela chef Bel Coelho e Bráz Trattoria, cantina moderna comandada pelos chefs Benny Novak e Marcelo Tanus.

Estivemos presentes durante os 4 dias do festival e percebemos que entre as aulas mais disputadas do evento destacaram-se as dos chefs Erick Jacquin, Henrique Fogaça, Helena Rizzo (Maní), Rita Lobo (Canal Panelinha), Janaína Rueda (Bar da Dona Onça) e Tsuyoshi Murakami (Kinoshita). Já nos workshops os participantes tiveram a oportunidade de cozinhar com chefs como Morena Leite (Capim Santo), Rodolfo de Santis (Nino Cucina), Marcelo Tanus (Bráz Trattoria, Ici Brasserie e Astor), Wagner Resende (Parigi Bistrot), Gabriela Kapim (GNT), Luca Gozzani (Fasano), entre outros.

Helena Rizzo, eleita a melhor chef do mundo em 2014 e chef do estrelado Maní, ensinando a preparar um arroz de carreteiro.

A reconhecida chef Marina Pipatpan, do premiado Restaurante Tian, ensinando os truques da culinária tailandesa e preparando o famoso Pad Thai.

A reconhecida chef do Bar da Dona Onça, Janaína Rueda, ensinando a preparar um Cuscuz de sardinha fresca e discutindo a alimentação nas escolas.

O premiado chef Rodrigo Oliveira ensinando a receita do Cuscuz do seu restaurante Mocotó.

O evento foi dividido em dois horários, de 12h às 16h e de 18h às 22h, e os pratos dos restaurantes eram pagos a parte (entre R$15 e R$35). Logo, a pessoa que quisesse ir, deveria comprar seu ingresso para um dia e um horário específico, tendo que se programar em relação as palestras e workshops que aconteceriam naquele horário (caso pretendesse participar de algum). Infelizmente os workshops eram bem concorridos e possuíam cerca de 28 vagas cada. Quem não reservou o seu lugar com antecedência acabou ficando de fora ou teve que torcer para ter uma desistência e ser chamado na lista de espera.

Papo de Cozinha: Workshops onde os participantes da feira podiam cozinhar com chefs renomados.

Toda a empolgação do chef Tsuyoshi Murakami do estrelado Kinoshita em uma palestra sobre Lâmen.

Por mais que tenham participado mais de 16 mil pessoas em apenas 4 dias, o clima foi bem tranquilo. Alguns poucos espaços, como o do restaurante Mocotó, estavam sempre com filas, mas nada que fosse insuportável ou demorasse mais de 20 minutos para fazer seu pedido. Em geral a frequência foi muito bem distribuída, sem ter grandes filas ou aglomerações onde você não poderia andar. Pelo contrário, todos que compareceram tiveram a oportunidade de conhecer os espaços dos restaurantes e demais expositores e assistir as aulas que tiveram interesse. Somente os workshops não suportaram a grande demanda. Apesar de algumas pessoas relatarem que não possuíam muitas mesas para sentar com a família, o que percebemos, foi que muitas pessoas degustavam suas porções em pé, em mesas mais altas (tipo de bar) ou que uma espera de 10 minutos era mais que suficiente para encontrar algum lugar para sentar e se alocar em um canto mais confortável.

O festival teve alguns números que surpreenderam devido à grande demanda dos frequentadores. Entre os pratos best-sellers estavam o Porco à San Zé (um clássico da Casa do Porco que dispensa apresentações), o Tiramisù do Fasano, o Arroz de Pato da Adega Santiago, os Dadinho de Tapioca do Esquina Mocotó e os Arancini do Bráz Trattoria.

No evento foram consumidos 100 mil pratos de comida, onde foram 750 quilos de carne de porco da Casa do Porco, 15,2 mil dadinhos de tapioca da Esquina Mocotó, 5 mil biscoitos de polvilho do Maní, 6 mil croquetes de jamón da Adega Santiago, 1,2 mil de coquetéis do bar Astor, 2 mil porções de tiramisù do Fasano, 10 mil pratos do Kinoshita, 2,5mil vidrinhos de tempero da BR Spices e 3,6 mil arancini da Bráz Trattoria.

Outro lugar que chamou a atenção dos visitantes foi a Adega Taste, que atraiu mais de 300 participantes para aulas e degustações de vinhos.

Nós experimentamos e avaliamos mais de 20 pratos (dos mais de 60 pratos disponíveis) em todo o evento, e no geral a maioria estava bom ou muito bom, cumprindo a proposta do evento de podermos experimentar um pouco de cada restaurante e instigar a vontade de visitar o restaurante em um outro momento. Se pensarmos na enorme quantidade de pratos produzidos no evento, é uma vitória conseguirem produzir tantos pratos sem ter uma perda significativa de qualidade. Também foi inevitável encontrar pratos que não empolgaram muito.

Segue abaixo os que mais nos chamaram atenção (dos que provamos):

Tonkatsu (copa-lombo com molho tonkatsu sobre arroz e karashi) do Kinoshita: todos os elementos tinham seu sabor, até mesmo o arroz tinha seu destaque. E quem quisesse adicionar um pouco mais de picância, bastava adicionar um pouco do karashi que acompanhava o prato.

As carnes do NB Steak (provamos o Bife Ancho e o Top Steak com arroz biro-biro) estavam extremamente macias e suculentas.

Pork Bun (pão no vapor, porco, molho de ostras) do restaurante Tian: uma delícia sem igual, ainda mais se você gosta de misturas um pouco adocicadas (molho de ostra no caso). Consideramos esse um dos hits do evento.

Galinhada Moderna do Bar da Dona Onça (Galinhada caipira, quiabo, gema de ovo curada): muito bem temperada. Toda a atenção para essa gema, que, quando estourada, dá um novo sabor e textura para o prato.

Shake trufa (sashimi de salmão selado com manteiga de trufas brancas) do Kinoshita: maçaricado e extremamente saboroso.

Le Jazz (sanduíche de leitão com picles e mostarda): a princípio, pelo tamanho e pela aparência, não dávamos nada por esse sanduíche, mas essa impressão só durou até a primeira mordida. Uma casca crocante (à pururuca) e extremamente suculento dentro. Um pequeno pecado!

Tiramisù do Fasano: se você imaginar que saíram 2 mil porções dessa sobremesa, não era de esperar que estivesse na qualidade que experimentamos. Leve (como um tiramisù deve ser e saboroso). Detalhe para os chips de chocolate em cima da sobremesa.

Não citamos o Porco à San Zé (A Casa do Porco Bar) porque não experimentamos ele dentro do festival. Mas, certamente, se estivesse na mesma qualidade que é servido no restaurante, também entraria na lista dos nossos hits.

Sem dúvida os pratos acima mereciam ser repetidos inúmeras vezes de tão bons que estavam. Um belo motivo para visitar os seus respectivos restaurantes e saborear outras surpresas.

Em 2017 tem mais!

Texto e fotos: Ricardo Brasil.