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quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Quintal Paraense

Quintal Paraense

Quando: De quarta a sábado, das 12h às 22h; domingo, das 12h às 17h
Onde: R. Horácio Vergueiro Rudge, 535, Casa Verde, região norte

Telefone (11) 98618-1944

Link: https://www.instagram.com/quintalparaense?img_index=1

Link Uol: https://guia.folha.uol.com.br/restaurantes/2024/08/quintal-paraense-valoriza-a-culinaria-do-norte-e-mostra-que-vai-alem-do-tacaca.shtml



Ali eles servem tacacá, é claro, mas também vatapá, maniçoba, caruru, caranguejo, filhote e até mesmo açaí com farofa peixe frito (não é nada do preparo doce demais que se popularizou pelo país). Tudo é muito bem feito e pode ajudar a conhecer melhor algumas das melhores comidas brasileiras.


Pegue o pato no tucupi (R$99), por exemplo, os paladares desacostumados podem se assustar com o quanto o caldo de mandioca e jambu, cheio de umami, acidez e aquela famosa dormência da folha, parece ativar papilas gustativas que a gente nem sabia que existiam. A coxa de pato chega deliciosa e quase se desfazendo em um preparo que lembra até o confit à francesa.


Tem também o filhote frito (R$ 84), esse peixe bem tradicional em Belém e que até outro dia era quase impossível de se encontrar em São Paulo. Servido crocante por fora o peixe é suculento e tem textura e sabor bem marcantes, que podem ser uma novidade agradável para quem está acostumado a peixes mais leves e de água salgada.


O cardápio da casa é tomado por pratos que dificilmente se encontram em outros lugares da cidade, com uma diversidade que gera vontade de experimentar de tudo. Para quem se sentir assim, a casa oferece uma degustação que serve até três pessoas e funciona como uma aula prática sobre a culinária paraense.


No menu pai d’égua (R$ 249) vem o famoso tacacá e também porções de maniçoba (folhas de mandioca cozidas por sete dias com carne de porco), vatapá (creme de camarão seco com dendê), caruru (creme de camarão seco com dendê e quiabo) e arroz paraense (cozido no tucupi com jambu e camarão seco). É tudo de que se precisa para experimentar os principais sabores do Pará.


Além dos pratos tradicionais, serve também petiscos que servem de entrada, como a unha de caranguejo (R$22), que lembra uma coxinha, mas é recheada com a carne do crustáceo muito bem temperada. Tem também um bolinho de maniçoba (R$ 28) que pode ser uma introdução a este prato e seu sabor intenso de carnes defumadas e folhas de mandioca.


Entre as sobremesas, a junara de cupuaçu (R$ 32) traz a fruta batida coberta com ganache de chocolate meio amargo que contrasta com seu sabor mais ácido e farofa de castanha do Pará que adiciona uma crocância bem-vinda.


O Quintal surgiu a partir de um trailer de comida do Pará na região central de São Paulo, mas acabou se firmando em um ponto fixo na Casa Verde, onde tem uma estrutura de restaurante muito mais apropriada para representar a culinária do estado. É uma excelente alternativa para quem quer ir além do meme e conhecer uma boa comida de verdade.

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Janaína Torres lança o primeiro menu-degustação do Bar da Dona Onça

Experiência proporciona viagem afetiva pela gastronomia das casas brasileiras

Caseirices, brasilidade, apuro e afeto. O primeiro menu-degustação de Janaína Torres – eleita a melhor chef do mundo em 2024 – para o Bar da Dona Onçaconvida a um passeio pelas memórias gustativas e afetivas das casas brasileiras. Do cozido de sete feijões com codeguim, que abre o serviço, até o beijinho com gel de cravo que acompanha o café, revisitamos um Brasil rico em influências culturais mas atualizado com técnica, criatividade e uma notável pesquisa de ingredientes.

O prato Feijões do Brasil, por exemplo, traz sete tipos de grãos que mesclam cores e também sabores de diferentes regiões, como o feijão corujinha, do Acre, o guandu, do Piauí e da Bahia e o mouro criolo, do Rio Grande do Sul. O codeguim potencializa o sabor do caldo e traz untuosidade ao prato, coroado com ervas frescas.

O segundo ato é inspirado nas festas brasileiras e traz uma seleção de salgadinhos: empada de palmito pupunha, risole de moqueca de pesca local, quibe com castanha de caju e bolinha de queijos artesanais brasileiros. Repare que para cada item há um detalhe especial que faz toda a diferença.

O "porco terra nossa", servido com cítricos da época, tucupi e pimenta de cheiro traz a combinação da carne suína com cubinhos de cítricos de diversas cores e níveis de acidez que brincam com o paladar. Mais instigante e saboroso é o capelete de galinha caipira, que traz a massa fresca recheada com a ave e é banhado por um caldo que tem cor e todo o umami de um bom molho de soja – mas é feito com banana-da-terra, surpreendente. Acompanham ainda cubinhos de minimilho tostados, uma combinação que resulta em um belo e reconfortante prato.

A última parada oferece o "arroz de viajante", preparado com um caldo espesso e rico e chega em uma panela de ferro que ao ser destampada revela pedaços de carne, ervas frescas e um ovo com gema mole para serem misturados, como em um bom mexidão. Os vegetais trazem nomes curiosos como a trapoeraba, a bertalha, o picão e a beldroega.

A sobremesa surpreende ao misturar uma musselina de mandioca com chocolate branco, água de coco e creme de nata e faz uma homenagem aos merengues da época de ouro do Centro de São Paulo, região onde a chef cresceu. Encerra a refeição uma seleção de docinhos de aniversário: quindim, beijinho com gel de cravo (para preservar o sabor da especiaria, que é sempre descartada) e brigadeiro sem confeitos de chocolate, como a chef comia na infância, além de bala gelada de coco. São oferecidos guardanapos para quem quiser levar os docinhos para comer em casa, como em uma verdadeira festa de aniversário.

O menu "Abrindo Caminhos" estará disponível até setembro, sempre no jantar, e não precisa de reservas. Basta solicitar ao atendente, que logo estenderá uma bela toalha de Richelieu, que faz parte da experiência, para dar início ao serviço. O menu tem sete tempos e custa R$ 190. Para a harmonização com vinhos, cerveja, cachaça, licores e café, adicione mais R$ 90. O vinho de jabuticaba, desenvolvido por Janaína em parceria com a Cia. dos Fermentados, é uma joia que merece ser experimentada.

Bar da Dona Onça - Av. Ipiranga 200, Centro de São Paulo - Mapinha aqui
Menu-degustação "Abrindo novos caminhos": de segunda a sábado, das 18h30 às 23h
Tel: (11) 3257-2016

FSP, 12.jul.2024, Marcelo Ktsui

Coquetelaria do Brasil

A coquetelaria nacional vem ganhando forma em bares da capital paulista com ajuda de ingredientes brasileiros, cada vez mais comuns nas cartas etílicas.

Entram na composição de drinques frutas nativas como as azedinhas uvaia e cambuci; sementes aromáticas como puxuri e cumaru; e cascas e ervas como o jambu.

Veja a seguir sete endereços em que é possível provar esses sabores:

Amata Club
Com ambiente festivo, a decoração do local destaca plantas da mata atlântica. A carta de drinques inclui o ara-ymã (R$ 44), que combina Amarula, licor de laranja e um bitter feito de cacau. Já o dragon fly (R$ 45) leva rum e calda de cupuaçu, fruta azedinha da região amazônica, além de xarope de pitaia.

R. Cunha Gago, 836, Pinheiros, região oeste, tel. (11)99769-0504, @amata.sp


Cantinho Bar
A casa, prestes a completar um ano, tem trilha sonora, decoração e, é claro, menu que remete ao Brasil. Entre os destaques, há versão de negroni (R$ 36) que leva vermute de jabuticaba e Campari infusionado com a pequena fruta de casca roxa. Já entre as batidinhas de cachaça (R$ 25) de textura espessa há uma opção feita com pitanga, fruta doce e ácida característica da mata atlântica.

R. Frederico Abranches, 160, Santa Cecília, região central, tel. (11) 97235-1873, @cantinhobar.sp


Ella Fitz
Apesar de ser um restaurante mediterrâneo, a carta de drinques tem toques brasileiros inseridos pela bartender Márcia Martins. É o caso do check mate (R$ 42), que leva infusão de rum prata com casca de abacaxi, xarope de guaraná, chá-mate e cítricos. Outro destaque é o get happy (R$ 43), feito com vodca, uva, manjericão e compota de abacaxi com cumaru e puxuri, duas sementes. A primeira, nativa da região amazônica, lembra baunilha. Já a segunda, funciona como uma espécie de noz-moscada brasileira.

R. dos Pinheiros, 332, Pinheiros, região oeste, @ellafitzristoranti


Espaço Zebra
Pioneira quando o assunto é coquetelaria brasileira, a casa é comandada pela mixologista e pesquisadora Néli Pereira. Além de drinques sazonais, há opções fixas como o panache do Davi (R$ 42), que leva cogumelos yanomami, de sabor terroso e com umami. Outra opção é o cupu do combu (R$ 43), com licor de cacau, cupuaçu e limão.

R. Maj. Diogo, 237, Bela Vista, região central, @espacozebra


Exímia
Criado pelo bartender Márcio Silva e pela chef curitibana Manu Buffara tem, entre as sugestões, o Odisseia (R$ 57), com uísque, flor de sabugueiro, palo santo e cambuci, fruta azedinha da mata atlântica. Na carta também há o ameríndio (R$ 51), com rum, pau-brasil e amburana, semente aromática que lembra baunilha.

R. Dr. Mário Ferraz, 507, Jardim Paulistano, região oeste, @eximiabar


Pina Drinques
Para começar, a indicação da casa é o coentrudo (R$ 28), que leva pepino e mix de cachaças com coentro. Já o Pereira (R$ 30), tem suco de uvaia e Campari. O bloody mary aparece em versão com cachaça amburana (R$ 30).

R. Brigadeiro Galvão, 177, Barra Funda, região oeste, tel. (11) 93751-8979, @pina.drinques.


Trinca Bar e Vermuteria

Entre as combinações servidas pelo bar estão o jerez jerez jerez (R$ 47), que leva xerez fino e oloroso, vermute de xerez, cordial de cacau com cumaru e Angostura, e o vermute tinto (R$ 25,90), infusionado com nibs de cacau, erva-mate, cumaru e jurema preta. Na receita jambu e uva, são combinados cachaça de jambu, a fruta e limão (R$ 35).

R. Costa Carvalho, 96, Pinheiros, região oeste, @trincabar.

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Itens antes esquecidos ou nunca considerados entraram para as cartas de restaurantes e bares

Jabuticaba no lugar de alguma berry, limão-capeta como equivalente do siciliano e jambu para dar certa picância. Inusitado? Não para quem anda reparando nas cartas de drinques dos bares em todo país. O movimento de valorização dos ingredientes nacionais na coquetelaria se espalha, cada vez mais, e abre portas para muitos outros insumos substituírem o estrangeirismo das bebidas.

O curso de mudança, porém, não é repentino. Especialistas afirmam que agora há diversificação e evolução no mercado, com novos bares e consumidores mais interessados em coquetéis. A prática também se fortaleceu com o encontro dos profissionais veteranos — ainda ativos — com a nova geração, ansiosa para aprender.

Segundo a mixologista Néli Pereira, o momento é semelhante ao experimentado pela gastronomia há muitos anos. "Hoje, há casas específicas em culinária típica de diversas regiões do país", diz ela, que também é precursora do uso de ingredientes nacionais na coquetelaria.

Em 2022, Néli lançou o livro "Da Botica ao Boteco – Plantas, Garrafadas e a Coquetelaria Brasileira" (Companhia de Mesa), que dá o panorama histórico de como bebidas com funções medicinais deixaram receituários e chegaram aos bares. A pesquisa para a obra foi acompanhada pela abertura do Espaço Zebra, no centro de São Paulo, o primeiro bar com uma carta inteira de drinques pensados a partir de insumos nativos do Brasil.

"Quando iniciei os estudos, em 2012, constatei que não havia locais usando apenas elementos brasileiros nas bebidas. Então, começamos a fazer coquetéis devido à pesquisa dos ingredientes e, desde a primeira carta do Zebra, escolhi apenas itens nacionais", conta ela.

No bar, a mixologista destaca o uso não só de frutas, como também de cascas, raízes, plantas, bagas e ervas. "O principal ingrediente do meu coquetel é sempre brasileiro. Alguns dos que mais aproveito são o araçá, uvaia, jurubeba, casca de catuaba, paratudo, cogumelo yanomami, maxixe e jucá", enumera.

Ela afirma que o cenário ainda está longe do uso ideal, já que muitos itens seguem camuflados em receitas. Mas um avanço começa a ser percebido. "Daqui a algum tempo, os ingredientes brasileiros serão usados como os estrangeiros e terão mais casas especializadas nisso, de fato", diz.

Nova geração

Novos nomes entraram no mercado e já entregam bons trabalhos, segundo o bartender Ale Bussab, sócio do Trinca Bar e Vermuteria. "A nova geração está fervendo, com a típica ansiedade que um jovem tem. Graças à internet, as pessoas conseguem acesso aos mais velhos e podem trocar experiências. Eles têm oportunidade de começar em bons bares e são ativos na pesquisa. Hoje, vejo pessoas com 30 anos —ou até menos— que fazem um ótimo trabalho", diz ele.

Bussab é bartender há sete anos e também cria cartas inspiradas na cultura brasileira desde o início da trajetória. "Passei a ter influência mais regional quando comecei a viajar pela América Latina a perceber o quanto os outros países são ligados aos povos ancestrais. No Brasil, isso não é tão comum e tento levar a ideia para o Trinca, que tem toque brasileiro no conceito da casa e dos coquetéis", explica.

Quem compartilha da mesma reflexão é Caio Baba, proprietário do recém-nascido Cantinho, um bar com referências brasileiras em todo o ambiente. De drinques autorais à decoração e trilha sonora, tudo tem referência ao Brasil e foi estrategicamente pensado. Aos 30 anos, ele se encaixa na parcela do público jovem que abriu um bar especializado em coquetéis e afirma que a nova geração é mesmo interessada.

"A base dos nossos drinques foi criada por um bartender de 21 anos, jovem, mas com muita técnica e conceito por trás. Evitamos usar ingredientes que alterem o sabor das bases, para que elas fiquem mais evidentes. Fechamos a concepção de reforçar insumos brasileiros com uma pesquisa de sabores", afirma Baba.

Segundo Néli, a mixologista Espaço Zebra, os jovens têm onde se inspirar e são mais ligados às brasilidades. "Quando a velha guarda começou na coqueteleira brasileira, não havia muito para quem olhar. Tínhamos o Derivan, mas era — provavelmente — o único. Porém, hoje, já servimos de referência para a geração nova", diz.

Indústria e interesse

Não só os ingredientes nacionais dão liga ao drinque. O tipo bebida alcoólica escolhida também entrou na era de valorização. Segundo a bartender e barista Mari Mesquita, a indústria nacional de destilados está mais desenvolvida. É possível encontrar bons produtos que vão além da cachaça, diz ela. Outro ponto que compõe o cenário é o interesse dos consumidores por um coquetel.

"Muitas pessoas nem considerariam sair de casa para tomar batidinhas e coquetéis de boteco. Só de ter a inserção da cachaça nas cartas de alta coquetelaria, já é um indicativo forte do caminho que estamos percorrendo", diz Mesquita. Ela, que viaja pelo país prestando consultoria em bares, completa que o uso dos ingredientes também varia de acordo com cada bioma.

"Alguns insumos ficam mais restritos aos locais que eles dão, como o mate nas Pampas e o pequi no Cerrado. Embora seja possível encontrá-los em outras regiões, é comum ter mais receitas nos locais em que brotam", finaliza.

FSP, 06.07.24

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Banzeiro - Com vitória-régia, formiga e tucumã, Banzeiro traz sabores amazônicos a SP

Filial do restaurante manauara está no Itaim Bibi

FSP 28/08/2019 

Formiga-saúva, cogumelos ianomâmi, tucumã e vitória-régia são alguns dos ingredientes que compõem o menu do manauara Banzeiro, em uma seção batizada de “introdução da Amazônia brasileira”.

Se é recém-chegada a São Paulo —abriu as portas na última segunda, 26, no Itaim—, a casa do chef Felipe Schaedler tem história de dez anos em Manaus, onde ganhou reconhecimento e fãs paulistanos.

A cozinha explora ingredientes e técnicas da região amazônica para entregar receitas próprias. O menu paulistano traz pratos da casa-mãe e do Moquém do Banzeiro, também em Manaus, além de apresentar itens exclusivos.

A formiga-saúva, por exemplo, é servida sobre espuma de mandioquinha (R$ 18) em uma das sugestões de entrada. Já a vitória-régia tem seu caule transformado em picles, que é combinado a tapioca hidratada no açaí e queijo de cabra (R$ 32).

Peixes de água doce, como pirarucu e tambaqui, estrelam boa parte dos pratos principais: o primeiro pode vir grelhado com cogumelos laminados (R$ 63) sobre folhas de rúcula, feijãozinho crocante e farinha do Uarini; já a costela do tambaqui vem com tartar de banana e baião cremoso (R$ 65).

No horário do almoço, pelo preço do principal, também se come entrada e sobremesa.


R. Tabapuã, 830, Itaim Bibi, tel. 2501-4777. Seg. a sex.: 11h30 às 15h30 e 19h às 23h30. Sáb.: 12h às 16h e 19h às 24h. Dom.: 12h30 às 17h. Não aceita tíquetes. $$$