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sexta-feira, 27 de março de 2020

Confira os destaques dos cinco restaurantes paulistanos no 50 Best latino

A Casa do Porco, D.O.M, Maní, Evvai e Mocotó integram a lista
18/10/2019

Se existe uma premiação que está para a gastronomia como o Oscar está para o cinema, ela é o 50 Best Restaurants. 
Publicado pela britânica William Reed Business Media e lançado em 2002, o ranking global também tem versões continentais (a asiática e a latino-americana, lançadas em 2013) e, desde 2009, uma etílica, o World’s 50 Best Bars. 
No último dia 10, foi anunciada a edição latino-americana de 2019 da famosa lista.

Como não poderia deixar de ser, alguns dos principais endereços paulistanos aparecem na relação, que também teve novidades. 

A principal foi a consagração d’A Casa do Porco, de Jefferson Rueda, como o melhor restaurante do país, em 6º lugar. Ele também é o único brasileiro no guia mundial atual, em 39º.

Mesmo que não esteja mais no topo, o D.O.M. se manteve no top 10, agora em 10º lugar. Outras presenças tradicionais na lista, o Maní, de Helena Rizzo, e o Mocotó, de Rodrigo Oliveira, aparecem em 18º e em 43º, respectivamente. 

Novato, o Evvai, de Luiz Filipe Souza, estreou em 40º. Foi um ano bom para a casa, que também ganhou a primeira estrela Michelin.

A votação do ranking é formulada a partir de um júri composto por mais de 250 jornalistas, foodies, chefs e restaurateurs da América Latina, com a mesma proporção de mulheres e homens. O crítico da Folha, Josimar Melo, é presidente do júri do Brasil do prêmio.

Cada jurado deve votar em dez diferentes casas, visitadas ao menos uma vez nos últimos 18 meses, sendo quatro delas em países que não são o seu de origem.

A seguir, saiba o que torna cada uma dessas casas tão especial. E bom apetite.

O Brasil no ranking
Saiba quem aparece na edição latino-americana do 50 Best:
6º: A Casa do Porco 
10º: D.O.M. 
18º: Maní 
40º: Evvai 
43º: Mocotó 
 Também aparecem os cariocas Oteque (23º), Lasai (24º) e Olympe (35º); e o curitibano Manu (42º).

A CASA DO PORCO
Não faz muito tempo que a carne de porco sofria com preconceito. Por isso, chamou atenção quando, em 2015, o chef Jefferson Rueda abriu uma casa na qual o insumo suíno era a grande estrela —e ainda fez questão de destacá-lo no nome do local.
Rueda, que já era estabelecido como chef, deixou o elegante Attimo, um italiano na Vila Nova Conceição, para se aventurar com suas criações porcinas no centrão, na vizinhança do Bar da Dona Onça, comandado pela mulher, Janaina. E arrastou muita gente consigo: desde a inauguração, o restaurante faz sucesso e acumula filas (cada vez maiores, aliás). Tanto, que já em 2016, estreou em 24º no ranking latino do 50 Best; agora, é o 6º.
No ambiente moderninho, com grafites e cozinha envidraçada, é possível para provar o tartar de porco (com tutano e cogumelo; R$ 31) e sushi de porco (com tucupi preto e alga; R$ 31). Para os mais animados, o menu-degustação tem 11 cursos e custa incríveis R$ 129 (sem bebidas).
Quem não estiver disposto a pegar fila —ou só quiser fazer um lanche rápido—, há uma janelinha de onde saem sanduíches como o misto-quente (com presunto real e queijo Pardinho; R$ 17).
Algo que garante a qualidade do que se come, é que quase tudo é feito ali. Isso se estendeu aos outros negócios da família, a lanchonete Hot Pork e a Sorveteria do Centro, também com preços camaradas e na mesma região.
A cara d’A Casa do Porco

Porco San Zé: No carro-chefe do local, o bicho é assado por até oito horas e vem com acompanhamentos como tutu de feijão ou quibebe (R$ 57 por pessoa).

Torresmo de pancetta: Servido com goiabada picante, ficou tão famoso que já ganhou versões pela cidade (R$ 36).
R. Araújo, 124, República, tel. 3258-2578. 57 lugares. Seg. a sáb.: 12h às 23h. Dom.: 12h às 16h. Não aceita tíquetes.


D.O.M
É inegável a importância de Alex Atala e do D.O.M. para a gastronomia brasileira. No ano em que seu principal restaurante completa o 20º aniversário, o chef ainda é o embaixador global da nossa gastronomia.
Foi Atala quem colocou o país no mapa da cozinha mundial. Por anos, de 2011 a 2015, a casa esteve entre as dez melhores do mundo no 50 Best. Até hoje, está no top 10 do ranking latino-americano, em 10º. No mundial, está em 54º.
Fez isso ao trazer ingredientes e técnicas regionais, em especial as indígenas, à maior metrópole da América do Sul e combiná-las à sua bagagem na culinária internacional —ainda hoje é famoso seu aligot, um purê de batatas com queijo, de origem francesa. O resultado disso é uma cozinha de alta gastronomia brasileira. 
Não se paga pouco pela experiência de comer no local. Entre as modalidades de menus fechados, há o Optimus (sete pratos mais sobremesa; a partir de R$ 550 na versão tradicional e R$ 415, na vegetariana) e o Maximus (dez pratos mais duas sobremesas; a partir de R$ 700 na versão tradicional e de R$ 535, na vegetariana). 
Para celebrar a efeméride da casa, as receitas estão sendo trabalhados sob um novo tema, batizado de Pré-Descobrimento. Nele, aparecem preparos que os povos indígenas já faziam antes da chegada dos portugueses com ingredientes como mandioca e cogumelos ianomâmi.
A cara do D.O.M.

Formiga amazônica: Tratado como iguaria, o inseto é servido de duas formas: avulso e dentro de uma espécie de bolinho de cachaça.

Palmito, vatapá, leite de coco e taioba: Na receita, o palmito vira uma trouxinha para conter o recheio.
R. Br. de Capanema, 549, Cerqueira César, tel. 3088-0761. Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sáb.: 19h às 24h. Não aceita tíquetes.


MANÍ
Quando abriu, em 2006, o Maní tinha o comando dividido entre o casal formado pela gaúcha Helena Rizzo e o catalão Daniel Redondo. 
Juntos, os dois desenvolveram uma cozinha contemporânea que tinha como base ingredientes brasileiros —o nome do local vem de uma lenda indígena sobre uma jovem mulher que morreu misteriosamente e reencarnou na forma de plantas.
O Maní estreou na lista dos 50 melhores do mundo em 2013, na 46ª posição, e, em 2014, Rizzo foi apontada como a melhor chef mulher da lista —uma premiação que ocorre junto à do 50 Best global. Atualmente, a casa está em 73º no ranking mundial e em 18º no latino-americano. 
Mesmo com a saída de Redondo em 2017 (agora na rede Rubaiyat), Rizzo manteve a cozinha entregue pela casa viçosa e fresca.
É verdade que comer no Maní pode não ser uma experiência barata —para conhecer o mais recente menu-degustação da chef, paga-se R$ 470; caso escolha harmonização com vinhos naturais, R$ 730. Mas também dá, por exemplo, para gastar R$ 68 em um almoço: durante a semana, há um combinado com salada, prato principal e sorvete.
Tem, ainda, serviço à la carte. Nele estão receitas ícones da casa, como o ceviche de caju com raspadinha de cajuína e cachaça (R$ 46) e a moqueca com pescado ou fruto do mar do dia, terrine de arroz, migalhas do Maní, pirão e azeite de pimenta (R$ 106).
A cara do Maní

Ceviche de caju: A marinada ganhou uma versão abrasileirada nas mãos de Rizzo e vem, ainda, com com raspadinha de cajuína e cachaça (R$ 46).

Sopa fria de jabuticaba: Delicada, essa entrada também tem lagostim no vapor de cachaça mais picles de couve-flor e amburana (R$ 50).
Joaquim Antunes, 210, Pinheiros, região oeste, tel. 3085-4148. Ter. a qui.: 12h às 15h e 20h às 23h30. Sex.: 12h às 15h e 20h30 às 24h. Sáb.: 13h às 16h e 20h30 às 24h. Dom.: 13h às 16h. Não aceita tíquetes. 


EVVAI
Quando o Evvai abriu, em 2017, era comum que a menção ao chef Luiz Filipe Souza viesse acompanhada de dois adjetivos: jovem e pupilo do italiano Salvatore Loi. Duas coisas que Souza de fato é, mas que foram perdendo a relevância conforme seu restaurante crescia.
Sob a mentoria de Loi (hoje no Mondo e no Modern Momma Osteria), ele passou por cozinhas como a do Fasano, Girarrosto, Mozza Bar, Ristorantino e a do Salvatore Loi. Aos 28, herdou a casa que era batizada com o nome do mestre. Em poucos dias, o espaço ganhou nova alcunha e decoração. O primeiro menu foi criado em dois meses.
Em ambiente elegante, apresenta pratos de base italiana, mas autorais e que destacam, cada vez mais, ingredientes nacionais. Essa combinação rendeu à casa reconhecimento internacional: neste ano, ela conquistou a primeira estrela Michelin e estreou em 40º no ranking latino-americano do 50 Best.
Para comer, há serviço à la carte e algumas modalidades de menu, da qual faz mais sucesso o chamado Oriundi (R$ 370). Nas nove etapas, aparecem pratos como o ravióli de porcini (de Santa Catarina) com língua, melaço de cebola e queijo Cuesta.
Atualmente, o local também oferece receitas com trufas brancas até meados de novembro, enquanto durar a temporada do ingrediente na Itália. O preço do menu em cinco etapas é R$ 1.717.
A cara do Evvai

Bombomloni de vieira: Servido desde a primeira degustação da casa, tem lardo da Serra da Bocaina (SP), pancs e, agora, tomate fermentado.

Picolé de foie gras:
 Novo queridinho, é preparado junto à mesa, com nitrogênio líquido; bele, uma bala de goiaba no palito é coberta por uma terrine do miúdo. 
R. Joaquim Antunes, 108, Pinheiros, região oeste, tel. 3062-1160. 72 lugares. Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sex.: 12h às 15h e 19h à 1h. Sáb.: 12h às 16h e 19h à 1h. Dom.: 12h às 17h. Não aceita tíquetes. 


MOCOTÓ
Familiar e tradicional, o Mocotó tem uma história antiga. Começou em 1973, com a Casa do Norte Irmãos Almeida, que ficou conhecida justamente pelo preparo do caldo de mocotó de seu Zé, pai do chef Rodrigo Oliveira.
O restaurante começou a chamar atenção quando Rodrigo passou a comandar o negócio, em 2005. Algumas mudanças aqui e ali foram o suficiente para que a típica cozinha sertaneja da casa começasse a atrair gente do mundo inteiro para a residencial Vila Medeiros, na zona norte. 
A combinação de preços populares e sabores nordestinos conquistou, também, o 50 Best da América Latina: o endereço consta na lista desde 2013, quando foi lançada. Estreou em 16º lugar.  Agora, está em 43º. Em 2017, o Esquina Mocotó, onde Rodrigo oferecia cozinha autoral, também estava no ranking —a casa fechou as portas em 2018.
A depender do dia —em especial aos finais de semana—, é preciso estar disposto a enfrentar uma fila de espera para comer no local, que não aceita reservas. 
Entre os pratos, são famosos os dadinhos de tapioca (R$ 16,90, com seis), popularizados por eles. Mas também tem torresmo (R$ 10,90), carne de sol (R$ 59,90), baião de dois (a partir de R$ 18,90). 
Novidade na casa, o drinque I Love Quebrada, com cachaça, amora e limão-siciliano (R$ 28,90), tem parte do valor revertido para um projeto com a ONG Gaia Mais.
A cara do Mocotó

Dadinho de tapioca: Se você é fã do petisco, saiba que o cubinho frito de tapioca, leite e queijo de coalho é criação do chef Rodrigo Oliveira (até R$ 26,90).

Baião de dois: Feijão com arroz, mas também queijo de coalho, linguiça, bacon e carne seca, o prato servido em quatro tamanhos (R$ 18,90 a R$ 49,90).
Av. Nossa Senhora do Loreto, 1.100, Vila Medeiros, região norte, tel. 2951-3056. 124 lugares. Seg. a sex.: 12h às 23h. Sáb.: 11h30 às 23h. Dom.: 11h30 às 17h. 



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Bom e barato: conheça 21 restaurantes em SP com refeições por até R$ 50

Em tempos de crise, chefs investem em menus que cabem no bolso

FSP, 26/07/2019 

Não está sendo fácil. Os versos entoados pela cantora Kátia ainda nos anos 1980 parecem ecoar por aí nesses tempos atuais de grana curta e preços cada vez mais altos.
Mas, mesmo com a economia estagnada e o flerte com a recessão, não param de pipocar novidades gastronômicas na cidade —muitas delas com opções mais em conta, incluindo bares e lanchonetes.

Pode até não parecer, mas existem, sim, em São Paulo, opções de restaurantes bacanas, de chefs renomados, com menus por até R$ 50. São exemplos o coreano Komah, de Paulo Shin, e o contemporâneao Petí, de Victor Dimitrow. Confira a seguir.

REFEIÇÕES POR ATÉ R$ 50   

A Baianeira
Escondida em uma tranquila rua na Barra Funda, a casa de Manuelle Ferraz remete à tranquilidade e aconchego do interior. Se o estabelecimento começou apenas com pães de queijo, hoje serve itens para o café da manhã e almoço. Durante a semana, dá para escolher entre os pratos do dia (até R$ 45) ou os combinados chamados ali de triviais, que incluem arroz, feijão, salada, legumes e creme do dia —o cliente escolhe a proteína (R$ 26 a R$ 30). Aos sábados, tem combos de café da manhã (R$ 35) e receitas como a carne de panela e creme (R$ 42).
R. Dona Elisa, 117, Barra Funda, região central, tel. 2538-0844. 34 lugares. Ter. a sáb.: 9h às 17h.

Bánh Mì Vietnam
Outrora pequenino, o restaurante mudou para um endereço maior recentemente —mas manteve a simpatia, os temperos e os preços amigáveis. O vietnamita Yann Dupierre compôs o menu baseado na comida de rua de seu país, com receitas como o sanduíche que dá nome ao local 
(R$ 21), além de receitas quentes como o pho, ensopado com que lembra o lamen (R$ 39 o grande). Já os rolinhos de alface, hortelã, shimeji e coentro, com ou sem carne de porco, embrulhados na folha de arroz, podem ser pedidos por unidade, por R$ 12.
R. Dr. Seng, 44, Bela Vista, região central, tel. 97754-1856. 25 lugares. Qua. a sex.: 12h às 16h e 18h às 22h. Sáb.: 13h às 16h e 19h às 22h. Não aceita tíquetes.

Casa de Ieda
A chef Ieda de Matos rende homenagem à terra natal, a Chapada Diamantina, em sua casa. Com preços camaradas, o menu é rotativo —mas são grandes as chances de encontrar itens como o bolinho de pirão de queijo de coalho (R$ 20 com quatro unidades), o godó (banana, carne de sol, arroz vermelho e chips de batata-doce ou de banana; R$ 32) e o baião de dois (R$ 32). Para acompanhar, peça o aluá (R$ 10), uma bebida fermentada de origem indígena feita com a casca de abacaxi, gengibre e rapadura.
R. Ferreira de Araújo, 841, Pinheiros, região oeste, tel. 4323-9158. 18 lugares. Ter. a sex.: 12h às 15h. Sáb.: 12h às 16h. 

Cepa
A proposta do chef Lucas Dante é ter uma cozinha autoral baseada no ingrediente —e os bons resultados fogem do óbvio. Para começar, há a tábua de curados na casa (copa-lombo, lardo, pancetta e papada) com pão de campanha e picles (R$ 26). No almoço, oferece opções de prato do dia por R$ 30. Às sextas, por exemplo, tem peixe do dia com batata, beterraba e molho hollandaise ou galinhada com kimchi (conserva fermentada).
R. Antônio Camardo, 895, Vila Gomes Cardim, região leste, tel. 2096-0687. 40 lugares. Seg. a qui.: 19h às 22h30. Seg. a sex.: 12h às 15h. Sex. e sáb.: 19h às 23h. Sáb. e dom.: 12h às 16h. Não aceita tíquetes. (*)

Comedoria Gonzales
Em sua primeira casa, o chef boliviano Checho Gonzales, expede comidas de rua com sabores latinos. O menu tem beliscos como a saltenha (R$ 11) e o choripán (R$ 20), além de pratos do dia. Mas quem brilha mesmo é o ceviche: o cliente escolhe entre peixe do dia e camarão; depois, seleciona a marinada, que pode ser leite de coco, óleo de gergelim ou suco de cambuci (R$ 26 ou R$ 32).
R. Pedro Cristi, 31/71, box 85, Pinheiros, região oeste, tel. 3813-8719. 30 lugares. Seg. a sáb.: 11h às 19h. Dom.: 11h às 17h. 

Conceição Discos e Comes
Ícone da casa, o pão de queijo aparece em versão simples (R$ 5) ou recheada, com pernil e ovo frito (R$ 19). Do fogão instalado logo atrás do balcão, a chef Talitha Barros interage com a clientela enquanto prepara arrozes, com uma sugestão diferente a cada dia; aos sábados, a receita é enriquecida com polvo (R$ 38).
R. Imaculada Conceição, 151, Vila Buarque, região central, tel. 3477-4642. 22 lugares. Ter. a sáb.: 10h às 21h.

Effendi
Clássico restaurante armênio, foi fundado em 1973 e tem como especialidade as famosas esfihas. Finas e leves, podem levar zátar (R$ 6,20), ou uma camada de queijo e da carne curada chamada basturmã (R$ 6,20) como cobertura. Dica para dividir —na conta e na mesa, o Herissah (R$ 30), combina carne desfiada, trigo integral, molho de manteiga e pães torrados.
R. D. Antônio de Melo, 77, Luz, região central, tel. 3228-0295. 50 lugares. Ter. a sex.: 10h às 16h. Sáb.: 10h às 15h30. Dom.: 10h às 14h30. 

Firin Salonu
Dos mesmos donos do Kebab Salonu, o endereço do chef Fred Caffarena nasceu com a proposta de fazer pratos com inspiração no mediterrâneo oriental. Para abrir o apetite, a dica é o basturmã (R$ 28). Na ala do principal, o bulgur, uma espécie de trigo, vem com medalhão de couve-flor caramelizada, açafrão, queijo tulha e molho de escarola (R$ 39).
R. Heitor Penteado, 699, lj. 1 e 2, Sumarezinho, região oeste, tel. 3803-8962. 40 lugares. Seg.: 19h às 23h. Qui.: 12h às 16h. Sex. a dom.: 12h às 16h e 19h às 23h.

Fitó
É o apelido de infância da chef Cafira Foz que batiza a casa. Ali, fazem bonito as comidas do Piauí, que são vendidas a preços bem amigáveis na região do largo da Batata. O menu é recheado de receitas que custam menos de R$ 40, além de ter opções de prato do dia. Uma dica é a paçoca (R$ 39), carne de sol com farinha de mandioca, manteiga de garrafa, servida com baião de dois, banana-da-terra e queijo de coalho.
R. Card. Arcoverde, 2.773, Pinheiros, região oeste, tel. 3032-0963. 90 lugares. Seg.: 12h às 15h. Ter. a sex.: 12h às 15h e 19h às 23h30. Sáb.: 12h30 às 16h30 e 20h às 23h30. Dom.: 12h30 às 17h.

Homa
Fica em uma simpática e tranquila viela o local em que, como diz o menu, os vegetais são reis. O esquema lembra o de fast-foods: você escolhe o que vai comer no caixa, paga e aguarda ser chamado pelo nome. O carro-chefe é o arroz cremoso de beterraba, com raspas de limão-siciliano e ricota (R$ 31).
R. Benjamim Egas, 275, Pinheiros, região oeste{oeste}, tel. 3097-9031. 60 lugares. Seg. a dom.: 11h30 às 16h.

Hospedaria 
Neto de italianos, o chef Fellipe Zanuto (A Pizza da Mooca) homenageia a culinária desses imigrantes em seu cardápio. No almoço, tem opções de prato no estilo pê-efe por R$ 29, além do menu-executivo, com entrada, principal e sobremesa, por R$ 49. Na segunda modalidade, dá para escolher entre arroz cremoso de legumes com ovo mole ou bife à milanesa, com maionese de batata e agrião, na etapa principal.
R. Borges de Figueiredo, 82, Mooca, região leste{leste}, tel. 2291-5629. 72 lugares. Seg.: 12h às 15h. Ter. a qui.: 12h às 15h e 18h às 22h30. Sex.: 12h às 15h e 18h às 23h30. Sáb.: 12h às 23h30. Dom.: 12h às 17h.

Jesuíno Brilhante
Pequenino, familiar e informal: é neste ambiente que somos remetidos ao sertão nordestino, em especial o potiguar. Para montar a refeição, é preciso escolher uma mistura e dois acompanhamentos. Assim, a carne de sol na nata fresca (R$ 34) pode vir com macaxeira cozida e farofa feita com manteiga de garrafa, coentro e cebola roxa. O prato do dia (R$ 31) vem com três acompanhamentos.
R. Arruda Alvim, 180, Pinheiros, região oeste{oeste}, tel. 2649-3612. 32 lugares. Seg. a sex.: 11h30 às 15h. Sáb.: 11h30 às 16h.

Jui
No almoço desta casa asiática, ao pedir um prato principal, o cliente pode escolher também uma entrada —a opção mais cara fica R$ 38. Assim, dá para combinar, por exemplo, o ovo com gema mole, creme de missô e crocante de amendoim ao lombo de porco empanado com salada de batata com wasabi. O menu principal, também tem preços convidativos, traz itens como o arroz salteado com pancetta, vagem, cebolinha, couve-flor, tomate e ovo (R$ 36).
R. Paul Valery, 104, Chácara Santo Antônio, região sul{sul}, tel. 2193-1086. 60 lugares. Seg. a qua.: 11h30 às 15h. Qui. e sex.: 11h30 às 15h e 19h às 22h. Sáb.: 12h às 16h e 19h às 22h.

Kitanda Brasil
Tanea Romão abre as portas de sua residência para servir comida caseira, em menu que muda diariamente (R$ 32), com entrada, principal e sobremesa. Há um prato fixo: o filé de pescada empanado com polvilho doce. É recomendável checar  o funcionamento em instagram.com/tanearomao.
R. Catão, 893, Vila Romana, região oeste{oeste}, tel. 94288-8007. Ter. a sex.: 12h às 15h. Sáb. e dom.: 12h30 às 16h. Não aceita tíquetes. 1º dom. do mês: fechado.

Komah
O badalado restaurante coreano estreou uma tentadora novidade recentemente, com seu almoço-executivo (R$ 47). São três as opções de principal — bulgogui, tonkatsu ou kare—, que chegam à mesa com uma porção de arroz, kimchi, banchans (acompanhamentos variados), caldo e, ufa, fruta do dia. 
R. Con. Vicente Miguel Marino, 378, Barra Funda, região central{central}, tel. 3392-7072. 35 lugares. Seg. a sex.: 12h às 15h e 18h30 às 23h30. Sáb.: 12h às 16h e 19h às 23h30. Não aceita tíquetes.

Kurâ Izakaya
Ao contrário de outros izakayas que têm ambientes simples, este, do mesmo grupo do restaurante Kinoshita, tem ares mais sofisticados —mas mantém no cardápio petiscos e pratos familiares típicos de casas do tipo. Aqui, a dica é o happy hour, no qual um combo com petiscos como o katsu sando (sanduíche de lombo empanado) e berinjela no missô, mais duas cervejas em garrafa long neck, sai por R$ 49,90.
R. Domingos Fernandes, 548, Vila Nova Conceição, região sul{sul}, tel. 3045-2154. 60 lugares. Ter. a qui.: 12h às 15h e 18h às 23h. Sex. e sáb.: 12h às 24h. Dom.: 12h às 17h. Não aceita tíquetes.

Le Manjue Organique
Renato Caleffi, chef da casa, prepara pratos saudáveis com ingredientes preferencialmente orgânicos. Novidade, o prato do dia casa custa R$ 39,90 e vem acompanhado de salada. Às terças, por exemplo, tem um mexidinho com frango moído à moda tailandesa envolvido em arroz integral, tomatinhos e castanha-de-caju.
R. Domingos Fernandes, 608, Vila Nova Conceição, região sul, tel. 3034-0631. 70 lugares. Seg. a qui.: 11h30 às 23h. Sex.: 11h30 às 24h. Sáb.: 12h às 24h. Dom.: 12h às 17h. Não aceita tíquetes

Maripili
Há dez anos esta esquina espanhola faz sucesso em Santo Amaro graças à combinação entre o bom custo-benefício da comida e a boa seleção de vinhos. O cardápio  é breve  ecom sugestões diárias. As estrelas são as tapas, que podem ser tortillas (R$ 9, a tradicional) ou o pán tumaca (R$ 20). Os ovos à flamenga (R$ 28), vão ao forno com com fatias de presunto cru, linguiça e ervilha.
R. Alexandre Dumas, 1.152, Chácara Santo Antônio, região sul, tel. 5181-4422. 40 lugares. Seg. a sex.: 12h às 22h. Sáb.: 12h às 22h30. Dom.: 12h às 15h30. Não aceita tíquetes. 

Petí Gastronomia
Nos fundos de uma loja de materiais para pintura, está o pequeno restaurante do chef Victor Dimitrow. A opção por lá é o menu-executivo de almoço (rotativo e alterado a cada 20 dias) que sai por R$ 49, com entrada, principal e sobremesa. O cardápio atual tem opções como a costela angus, servida com terrine de mandioquinha, alface romana na brasa, farofa de talos e molho rôti. 
R. Cotoxó, 110, Perdizes, região oeste, tel. 3873-0099. 44 lugares. Seg. a sex.: 12h às 15h. Sáb.: 12h às 16h. 

Quibebe
Com foco na cozinha paulista, o chef Gustavo Rodrigues oferece pratos simples e saborosos. Durante a semana, no almoço, paga-se o valor do principal para provar, também, uma entrada. Dá, por exemplo, para combinar a porção do arroz de galinha com botarga de gema e quiabo tostado (R$ 29) com o caldinho 
de feijão com paio. 
R. Serra de Juréa, 698, Cidade Mãe do Céu, região leste, tel. 99712-0257. 24 lugares. Ter. a sex.: 12h às 15h30. Sáb. e dom.: 12h às 16h30. 

Thai e-San
O salão simples contrasta com os vibrantes pratos da culinária tailandesa. São pratos como a salada de mamão verde, com cenoura, molho de peixe, suco de limão e amendoim torrado (R$ 20). Generosa, a porção de pad thai, apimentado macarrão de arroz e acompanhamentos como frango ou camarão, custa a partir de R$ 25.
R. Br. de Iguape, 446, Liberdade, região central{central}, tel. 96465-1344. 10 lugares. Seg. a dom.: 11h às 22h. Não aceita tíquetes. 


(*) Cepa trabalha bons ingredientes em cozinha bem-executada e nada óbvia
Na região do Tatuapé, restaurante é comandado pelo casal Lucas Dante e Gabrielli Fleming - 19/07/2019 
São Paulo se beneficia —e se mantém vibrante e diversa— com a ousadia de certos empreendedores, que se propõem a sair do senso comum. Eis nesse balaio o casal que acaba de inaugurar o Cepa, na região do Tatuapé, um restaurante pequeno, de ar jovem, cardápio enxuto, bem-executado e nada óbvio.

Num primeiro olhar, os preparos de Lucas Dante exibem traços autorais, fogem de qualquer bandeira e transmitem liberdade —da qual se vale para tratar bons ingredientes.
Uma observação mais profunda permite notar um fio condutor. O chef parte de uma filosofia, e a coloca em prática: usa produtos frescos, não congela carnes e peixes, e busca explorar os alimentos no limite e seus processos de conservação, como fermentação e cura.

Aplica o conhecimento que acumulou ao lado do italiano Marco Renzetti, na Osteria del Pettirosso, ao oferecer, por exemplo, sua tábua de embutidos curados na casa, fatiados cuidadosamente (R$ 24). O lardo derrete no céu da boca, que beleza, e o picles de rabanete, ácido, ultraintenso provoca as papilas e quebra a gordura a um só tempo.
Para dar liga aos cubos de carne crua, cortados grosseiramente e temperados com parcimônia (mostarda fermentada na casa, pimenta-do-reino e chips de alho), Dante usa o avinagrado da conserva de quiabo, no qual concentra-se a baba do vegetal (R$ 36).

Se por um lado há arrojo, por outro surge um apelativo e atraente mil-folhas de batata, pincelado com manteiga trufada, com superfície crocante, sobre um creme de queijo reblochon, para comer de colher (R$ 24). 

Carnudo, com pele gelatinosa e cozido no vapor, o olhete chega à mesa envolto em um dashi, o caldo base da cozinha japonesa, com purê de mandioca, que equilibra doçura e acidez (R$ 49).

A paleta de copa lombo, alta e rosada, é guarnecida com purê de maçã, brócolis firmes, tostados no calor da lenha e do carvão, e pele pururucada, que desidrata no forno, aproveitada das rebarbas da tábua de curados (R$ 52).

Sai-se excessivamente adocicado e sem equilíbrio o rigatoni com creme de abóbora (muito denso) —parece deslocado do cardápio, que revela mais delicadeza.

Serviço de vinho e de salão, feitos pela sócia e sommelière Gabrielli Fleming, é competente e uma doçura, diferentemente das sobremesas, corajosamente contidas no açúcar.

Gastronomia de hotéis recupera fôlego e requinte com novos bares e restaurantes

Novos Neto e Caju, no recém-inaugurado Four Seasons, reforçam cena gastronômica

[Luiza Fecarotta] FSP, 23/11/2018 

Pode-se dizer que o efervescente hotel Maksoud Plaza cravou seu lugar na memória paulistana. Ali, nos anos 1980, abriu o histórico La Cuisine du Soleil, inaugurado pelo ícone da nouvelle cuisine francesa Roger Vergé, e o 150 Night Club, onde gente como Frank Sinatra se apresentou. 

No começo dos anos 2000, o espaço passou um tempo apagado, mas recuperou o brilho com a inauguração do Frank, bar de alta coquetelaria, em 2015. Depois, vimos o investimento na gastronomia recuperar o fôlego no setor hoteleiro, com as aberturas de casas como o Seen e o Tangará Jean-Georges, e com a volta do Ca’d’Oro, outro clássico da cidade. 

Para além destas, temos outros dois endereços que não perderam o fôlego, o Fasano e o Skye, e duas novas promessas para os próximos anos, o Rosewood (cujo restaurante ainda não foi anunciado) e o Nobu Hotel.

Fórmula que une hotelaria a alta gastronomia perdura
César Ritz (1850-1918) odiava cuidar das vacas, quando criança, na aldeia suíça na montanha em que nascera. Foi estudar em Sion para “ser outra coisa que não um camponês”.
Experimentou ser aprendiz de sommelier —e fracassou. Como ajudante de garçom, poliu botas, esfregou chão e carregou malas; perdeu outro emprego no ramo por quebrar muitas louças.

Foi esse personagem insistentemente ambicioso, porém, que, anos mais tarde, tornou-se um hoteleiro excepcional. Ritz aliou-se a um dos cozinheiros mais celebrados da gastronomia, Auguste Escoffier (1846-1935), para promover a expansão das primeiras grandes redes de hotelaria, numa fórmula ainda hoje repetida pelo mundo, que conjuga conforto das instalações e cozinhas requintadas. 

Na São Paulo do século 21, grandes restaurantes de hotel também marcam cozinhas luxuosas da cidade. Eis exemplares como o Fasano, cuja família proprietária ergueu um império a partir de 1902, com a abertura de uma confeitaria, e consolidou ao longo dos anos uma das grifes mais requintadas do país, sustentada como tal até hoje.

Outrora monumento da gastronomia paulistana, o Ca’d’Oro, outro empreendimento familiar tradicional, permanece no imaginário da cidade. Ainda que tenha fechado em 2009 e reaberto mais moderno em 2016 —já sem a majestade da “casa de ouro” dos anos 1950—, segue a servir clássicos como as codornas com polenta.

Da nova safra, em uma São Paulo mais receptiva a casas de serviço simplificado e capazes de praticar preços contidos, nenhuma novidade se aproxima da excelência e pompa de antigamente, ainda que se faça notar a abertura dos luxuosos hotéis Palácio Tangará, cujo restaurante tem cardápio assinado pelo chef franco-americano Jean-Georges Vongerichten, e do recém-inaugurado Four Seasons, com seu já estrelado Neto. 

Four Seasons
A chegada da luxuosa rede canadense Four Seasons a São Paulo em novembro, última grande inauguração hoteleira na capital, trouxe consigo a abertura deste restaurante de culinária italiana feita com ingredientes brasileiros. (*)

Caju SP
A outra novidade está no saguão do hotel, o bar Caju, que recepciona o público com seu sinuoso balcão. Quem assina a carta é o bartender Paulo Ravelli, que busca homenagear sabores e costumes brasileiros em seus drinques. Exemplo é o Pingado (R$ 38), com cachaça, Cynar e mix de vermute com infusão de café. Outro, o Amigo Julep, combina o refrescante mint julep ao brasileiro caju amigo, com uísque, cachaça, compota de caju e hortelã (R$ 38). 
R. Eng. Mesquita Sampaio, 820, Vila São Francisco, região sul, s/ tel. 

Palácio Tangará

Tangará Jean-Georges
O 35º restaurante assinado pelo chef franco-americano Jean-Georges Vongerichten, e o primeiro dele no Brasil, abriu as portas em junho de 2017, junto à inauguração do imponente hotel que o abriga —e conquistou a primeira estrela Michelin neste 2018. A novidade mais recente foi o lançamento do menu-executivo, no almoço, por R$ 155.

Burle Bar
Cores sóbrias, petiscos assinados por Vongerichten e alta coquetelaria são as marcas do bar da casa, instalado no lobby do hotel. A carta traz drinques como o Le Bristol Paris, criado no hotel francês, com gim, chá Earl Grey, sabugueiro e suco de grapegruit (R$ 50). 
R. Dep. Laércio Corte, 1.501, Paraíso do Morumbi, região oeste, tel. 4904-4040

Tivoli Mofarrej

Seen
Entre os atrativos do restaurante, aberto em 2017 no 23º andar do hotel, estão o charmoso salão —com vista panorâmica da cidade—, clima de badalação, comida e drinques. O chef é William Ribeiro (ex-Bossa), que entrega receitas como o ravióli de cabra, com tomate confitado, mel de uruçu, manteiga queimada, nibs de cacau e rúcula (R$ 64). 

Must
Foi também em 2017, que o lobby do Tivoli Mofarrej ganhou este bar, com vista para a piscina do local. O menu tem coquetéis assinados por Jessica Sanchez, com receitas como o Cup of Tea, feito com gim, redução de amora, bitters de laranja e espuma de camomila com cabernet (R$ 35). 
Al. Santos, 1.437, Cerqueira César, região oeste{oeste}, tel. 3146-5923

WZ Hotel

Tetto
Desde maio de 2017 o topo do WZ Hotel, na Rebouças, abriga este bar com clima de balada, com direito à pista de dança e programação de festas. Atenção aos coquetéis, que têm a assinatura de Jean Ponce (Guarita) e Matheus Cunha. 
Av. Rebouças, 955, Cerqueira César, região oeste, tel. 2597-4818.  

Maksoud Plaza

Frank Bar
Depois de um período apagado, o clássico Maksoud Plaza recuperou o fôlego boêmio com a inauguração do Frank Bar, em 2015. Considerado um dos melhores bares do mundo (86º no ranking do 50 Best), é comandado por Spencer Amereno Jr. 

Vino!
Em agosto, o Frank ganhou a companhia do Vino!, com opções de vinhos em taça a partir de R$ 12 e cardápio comestível assinado por Flavio Miyamura (Extásia), com pratos como o fetuccine com ragu de cogumelos e toque de ervas (R$ 42). O hotel abriga, ainda, o Restaurante 150, com serviço de bufê e à la carte. 
R. São Carlos do Pinhal, 424, Bela Vista, região central, tel. 3145-8000

Clássicos

Fasano
Primogênita de uma das mais importantes grifes da alta gastronomia paulistana, a casa foi fundada há 35 anos e, desde 2003, funciona no térreo do luxuoso hotel homônimo. À frente da cozinha, está o italiano Luca Gozzani. Mesmo com algumas inovações, o cardápio mantém o espaço de antigos conhecidos 
da clientela, caso do ossobuco de vitela com vinho branco e ervas, guarnecido de risoto à milanesa (R$ 182).
R. Vitório Fasano, 88, Cerqueira César, região oeste{oeste}, tel. 3896-4150

Skye
Em agosto, o espaço passou alguns dias fechado para depois reabrir de cara nova. Mas a qualidade da cozinha permanece —está a cargo do francês Emmanuel Bassoleil, pilotando os fogões da casa há 15 anos. Ele mescla sotaques em receitas como a do Cassoulet Amazônico, um cozido de pirarucu, tambaqui, feijão-manteiguinha, tucupi e jambu, purê de banana e farinha de uarini (R$ 98).
Av. Brig. Luís Antônio, 4.700, cobertura, Jardim Paulista, região oeste{oeste}, tel. 3055-4702

Vem aí
São Paulo receberá mais três grandes hotéis —com promessa, é claro, de bons restaurantes e bares. O Rosewood, nos arredores da avenida Paulista, deve abrir em 2020; na mesma região, o hotel D.O.M. deve vir em 2021. O último é o hotel Nobu, no Itaim, ainda sem previsão —mas já dá para conhecer o restaurante do grupo, que, aliás, acaba de chegar à cidade.


(*) No Four Seasons, Neto dá pincelada brasileira em original menu italiano
Restaurante é comandado pelo italiano Paolo Lavezzini, ex-Fasano Al Mare

Josimar Melo FSP, 23.11.18

A recente inauguração do hotel da rede Four Seasons em São Paulo trouxe um presente adicional para a cidade —o restaurante Neto.

Com uma ambientação mais informal do que se poderia esperar, ele tem à sua frente o experiente chef italiano Paolo Lavezzini, que veio ao Brasil para assumir a cozinha do hotel Fasano do Rio de Janeiro, onde ficou por seis anos.

Nascido e criado na região da Emilia-Romagna, de onde saiu para estudar cozinha na Toscana (duas regiões de sonho para os gulosos), o chef trabalhou em grandes hotéis na Europa antes de aqui desembarcar.

No Rio, sua especialidade era a cozinha do mar; em São Paulo, apresenta uma culinária diferente: original, instigante, decididamente italiana, mas toda pincelada com ingredientes brasileiros.

É o que mostram receitas como as vieiras cruas (infelizmente sem todo o frescor necessário) marinadas na tangerina com sal negro, cará e farinha d’água (R$ 60); os lagostins que, ao lado da delicada couve-flor, do pistache e do lardo, se acentuam com um toque de tucupi (R$ 60).

Outro exemplo são os tagliolini feitos de feijão preto, servidos com alho, azeite, pimenta-de-bode, couve-manteiga e bottarga (R$ 75) —feijão, couve e pimenta, eis uma massa com divertido toque brasileiro.

O cardápio se orienta para o uso de ingredientes comprados nas redondezas. O tomate, por exemplo, é de São Paulo mesmo (usado, sem demérito, no molho do espaguete, junto com manjericão e queijo de ovelha nacional, R$ 70); o mesmo vale para a burrata com rúcula selvagem e diferentes tomates (R$ 80).

Carne bem maturada, e feita na brasa de verdade, é a base do bife ancho com chicória salteada na manteiga de castanha-do-pará e delicioso arroz-cateto crocante (R$ 130); e da bisteca fiorentina servida com batatas aceboladas com pancetta defumada e alecrim (R$ 260, para dois).

Tem mais brasilidade também nas equilibradas sobremesas —como bolo de castanha-do-pará com cupuaçu e sorvete de banana (R$ 32) e o abacaxi de Pernambuco com caramelo e coalhada (R$ 30).

  • Quando Seg. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h às 24h. Sáb.: 13h às 16h e 19h às 24h. Dom.: 13h às 16h e 19h às 23h.
  • Onde Four Seasons - R. Eng. Mesquita Sampaio, 820, Vila São Francisco, região sul, s/ tel. 166 lugares.



quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Cepa - bons ingredientes em cozinha bem-executada e nada óbvia


Cepa trabalha bons ingredientes em cozinha bem-executada e nada óbvia
Na região do Tatuapé, restaurante é comandado pelo casal Lucas Dante e Gabrielli Fleming
FSP - 19/07/2019

São Paulo se beneficia —e se mantém vibrante e diversa— com a ousadia de certos empreendedores, que se propõem a sair do senso comum. Eis nesse balaio o casal que acaba de inaugurar o Cepa, na região do Tatuapé, um restaurante pequeno, de ar jovem, cardápio enxuto, bem-executado e nada óbvio.

Num primeiro olhar, os preparos de Lucas Dante exibem traços autorais, fogem de qualquer bandeira e transmitem liberdade —da qual se vale para tratar bons ingredientes.

Uma observação mais profunda permite notar um fio condutor. O chef parte de uma filosofia, e a coloca em prática: usa produtos frescos, não congela carnes e peixes, e busca explorar os alimentos no limite e seus processos de conservação, como fermentação e cura.

Aplica o conhecimento que acumulou ao lado do italiano Marco Renzetti, na Osteria del Pettirosso, ao oferecer, por exemplo, sua tábua de embutidos curados na casa, fatiados cuidadosamente (R$ 24). O lardo derrete no céu da boca, que beleza, e o picles de rabanete, ácido, ultraintenso provoca as papilas e quebra a gordura a um só tempo.

Para dar liga aos cubos de carne crua, cortados grosseiramente e temperados com parcimônia (mostarda fermentada na casa, pimenta-do-reino e chips de alho), Dante usa o avinagrado da conserva de quiabo, no qual concentra-se a baba do vegetal (R$ 36).

Se por um lado há arrojo, por outro surge um apelativo e atraente mil-folhas de batata, pincelado com manteiga trufada, com superfície crocante, sobre um creme de queijo reblochon, para comer de colher (R$ 24). 

Carnudo, com pele gelatinosa e cozido no vapor, o olhete chega à mesa envolto em um dashi, o caldo base da cozinha japonesa, com purê de mandioca, que equilibra doçura e acidez (R$ 49).

A paleta de copa lombo, alta e rosada, é guarnecida com purê de maçã, brócolis firmes, tostados no calor da lenha e do carvão, e pele pururucada, que desidrata no forno, aproveitada das rebarbas da tábua de curados (R$ 52).

Sai-se excessivamente adocicado e sem equilíbrio o rigatoni com creme de abóbora (muito denso) —parece deslocado do cardápio, que revela mais delicadeza.

Serviço de vinho e de salão, feitos pela sócia e sommelière Gabrielli Fleming, é competente e uma doçura, diferentemente das sobremesas, corajosamente contidas no açúcar.

https://guia.folha.uol.com.br/restaurantes/2019/07/cepa-trabalha-bons-ingredientes-em-cozinha-bem-executada-e-nada-obvia.shtml

Padoca do Maní e Café Le Manjue ganham novas unidades


Filhotes de restaurantes, Padoca do Maní e Café Le Manjue ganham novas unidades
Padoca do Maní é do restaurante da chef Helena Rizzo, e o Café Le Manjue, do restaurante orgânico
FSP, 30/08/2019 

Filhotes de bons restaurantes paulistanos, a Padoca do Maní e o Café Le Manjue ganharam novas unidades.
Enquanto o novo endereço da Padoca fica no shopping Iguatemi —o mesmo do Manioca—, o da loja mais descontraída do Le Manjue Organique está na Vila Nova Conceição. Saiba mais.

Café Le Manjue  
Filhote do restaurante de mesmo nome, o café segue a linha orgânica, funcional e saudável da casa mãe. Esta é a terceira unidade do café, que tem itens prontos para serem consumidos ou levados para viagem, como salgados, sanduíches e doces. Para uma refeição, a dica é a Marmita Fit (R$ 36), com combinações que mudam diariamente.
R. Afonso Braz, 311, Vila Nova Conceição, região sul, tel. 3042-2189. 20 lugares. Seg. a sáb.: 8h às 20h.

Padoca do Maní
Casa do restaurante Manioca, o shopping Iguatemi virou, também, o endereço da segunda unidade da Padoca do Maní, com tortas, quiches e bolos. Uma novidade é o almoço: oito sugestões frias ficam dispostas para o cliente escolher como quer montar o prato (R$ 55 com quatro itens). A outra, a seção de comidinhas prontas para levar para casa.

Shopping Iguatemi - Av. Brig. Faria Lima, 2.232, térreo, Jd. Paulistano, s/ tel. Seg. a sáb.: 7h30 às 22h. Dom.: 7h30 às 20h.

Altos e baixos de 4 casas de lámen em SP para espantar o friozinho

Mariana Agunzi, FSP 27.jun.2019

Já faz um pouco mais de dois anos que o boom de casas especializadas em lámen —ou ramen, para quem adota essa grafia— chegou a São Paulo. Poderia ser apenas mais uma moda gastronômica, mas o bowl de macarrão embebido em caldo temperado, típico japonês, caiu no gosto do paulistano.

Tirei a prova neste inverno tímido, que apenas ameaçou dar as caras na cidade. Fui a uma casa de lámen menos badalada, na zona sul, e para minha surpresa dezenas de outros paulistanos também aproveitaram a mudança de estação para jantar o macarrão ensopado. Era domingo e o local estava lotado, com direito a fila de espera.

O frio deve aumentar nas próximas semanas. As filas de sedentos por lámen também. Para você escolher uma casa sem esquentar a cabeça —só o corpo, com o caldo quentinho—, o Pitaco ressaltou pontos fortes e fracos de quatro lugares.

*
MOMO LAMEN
R. dos Estudantes, 34, Sé, tel. 3207-5626
Impossível não passar pela Liberdade quando o assunto é comida japonesa. O restaurante, que abriu em 2016, ocupa três andares de um prédio. O macarrão que protagoniza as tigelas é feito ali mesmo, em uma máquina trazida do Japão, e o cardápio oferece 13 opções de lámen e mais quatro de udon (a massa mais grossa).
Nosso pitaco: melhor opção se você está com fome e não quer ficar na fila, porque é grande. São três andares, portanto, é incomum ter que aguardar. E dá para ir de metrô: fica a apenas uma quadra da estação Liberdade. As versões mais suaves do lámen têm menos graça; se você curte uma picância, peça o tan tan men, com molho de gergelim apimentado e carne suína moída. Os preços variam na casa dos R$ 30.

Tan tan men do Momo Lamen, na Liberdade (Thays Bittar/Folhapress)
JOJO RAMEN
R. Dr. Rafael de Barros, 262, Paraíso, tel. 3262-1654
Também abriu em 2016, mas no Paraíso, zona sul de São Paulo. Desde então, é um dos queridinhos da crítica gastronômica quando o assunto é lámen. Também pudera: a casa trouxe um chef de Tóquio, Takeshi Koitani, para deixar o ensopado nos trinques. A massa também é de fabricação própria, e os caldos são consistentes.
Nosso pitaco: O Jojo não veio para ser só mais uma casa de lámen, pois sua comida é incrível. Os caldos, a base de porco, frango e shiitake, são de lamber os beiços. O preço é um pouquinho mais salgado que o cobrado pelo Momo, mas vale a pena. Só que… há fila. Praticamente todos os dias. A cozinha é ótima, mas se você estiver com pressa, é melhor procurar outro restaurante.

NARA LAMEN
R. Carneiro da Cunha, 172, Vila da Saúde, tel. 5581-9910
Duas casas fora da rota gastronômica paulistana, na Saúde, merecem atenção: Nara Obentô, que serve bentô –o “PF” japonês, uma refeição completa na caixa–, e seu irmão e vizinho Nara Lamen, que, como o nome sugere, serve lámen. O salão é simples e espaçoso, e os pratos são preparados ali, aos olhos dos clientes.
Nosso pitaco: Restaurante casual e gostoso. Apesar de encher nos fins de semana, é espaçoso, então a fila de espera costuma andar rápido. A comida é bem-feitinha, mas não chega a emocionar. Por isso, é uma boa opção para quem quer matar a vontade do macarrão ensopado sem frescura. E sem gastar muito: há opções de apenas R$ 20.

HIDDEN BY 2ND FLOOR
Al. dos Nhambiquaras, 921, Moema, tel. 2339-8878
A casa, que tem esse nome porque ficava no segundo andar de um sobrado na Vila Clementino, se mudou para Moema (agora em piso térreo). Além de pratos do dia, serve lámens, criações do chef Luis Ishikawa, que fazem bastante sucesso entre a clientela. São três tipos: shoyu, missô e karamissô.
Nosso pitaco: O espaço que abriga o restaurante pode até passar despercebido, mas os lámens, não. São de respeito, servidos com ovo de gema molinha. O caldo é mais leve que o de outras casas do estilo, mas não menos saboroso. O único infortúnio é o preço, que pode assustar um pouco, passando dos R$ 40 a depender do escolhido.


*
DICIONÁRIO DO LÁMEN
Para você não passar aperto
Kamaboko – massa de peixe
Karaague – frango empanado e frito
Missô – caldo de pasta fermentada de soja
Moyashi – broto de feijão
Nirá – cebolinha chinesa
Nori – alga
Shio – caldo a base de sal e temperos
Shoyu – caldo de molho de soja
Tyashu – lombo de porco